'Sou difícil de chorar, mas não consegui segurar', diz Zé Maria

Lateral do Corinthians de 1970 a 1983 comenta a conquista do bicampeonato mundial

O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h07

SÃO PAULO - "Eu sou difícil de chorar, mas não deu para segurar. O gol do título mundial ter sido marcado pelo Guerrero não é ocasional. Trata-se de uma homenagem aos 11 guerreiros que estiveram em campo em Yokohama. O peruano foi o artilheiro do time, o Cássio fechou o gol com pelo menos cinco grandes defesas e se transformou no "São Cássio", mas as honras precisam ser divididas com todos os jogadores.

O Corinthians jogou ao seu estilo. O estilo que o torcedor corintiano mais gosta: com muita raça. Cada jogador suou até a última gota de sangue para superar um adversário difícil, repleto de bons jogadores e com muita qualidade técnica como o Chelsea.

A torcida mais uma vez deu um show nas arquibancadas. Eu estive no jogo histórico de 1976, no Maracanã, contra o Fluminense, quando 70 mil corintianos nos levaram para a decisão do Campeonato Brasileiro. Não dá para explicar o que os torcedores nos transmitem. Não concordo quando dizem que não se escuta nada dentro de campo o barulho feito fora dele. Se escuta e muito! O jogador ganha uma motivação, uma força extra, vai buscar não sei aonde o ânimo que decide muitos jogos. Ontem não foi diferente. Foi fácil notar que o time estava aceso, ligado para buscar a vitória. O estádio de Yokohama se transformou no Pacaembu. Eu me vi jogando de novo, como aconteceu tantas vezes em minha carreira.

Quando o Alessandro levantou a taça, vestindo a camisa 2, que eu tive a honra de vestir por 13 anos (de 1970 a 1983, em 595 jogos), me veio na memória a conquista de 1977, quando quebramos o jejum de 22 anos sem título. Até hoje me param na rua para me parabenizar por aquela conquista. Imagina qual será a reação dos torcedores desta vez!? A comemoração da Fiel será eterna. Esses jogadores serão lembrados para sempre na história do clube.

Os atletas só terão ideia do que fizeram no Japão quando pararem de jogar. Eles vão olhar para trás e terão um orgulho enorme do que foi feito.

Mas não se pode falar desta conquista de título sem enaltecer o trabalho do Tite. O meu filho Fernando faz parte da comissão técnica do Corinthians e eu sei como o Tite trata os funcionários do clube. Imagina o que ele deve fazer pelos jogadores. Ele me lembra muito o Oswaldo Brandão, que foi meu treinador em 1977. Aquele estilo gaúcho, que parece durão, mas que cuida de uma forma paternal de seu elenco. O Tite tem grande responsabilidade nesta conquista.

Agora, eu estou tão feliz que o mundo pode acabar. Não estão falando que dia 21 é o ultimo dia? Não tem problema, não.. O mundo vai acabar com o Corinthians campeão do mundo. Tem jeito melhor para isso acontecer?

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