Ricardo Bufolin/Divulgação
Ricardo Bufolin/Divulgação

'Sou quem mais quer falar', diz ex-técnico de ginástica acusado de abuso sexual

Fernando de Carvalho Lopes foi convocado por CPI no Senado, mas ponderou que primeiro vai falar com delegada

O Estado de S. Paulo

11 Maio 2018 | 07h00

Acusado de abusar sexualmente de ginastas, o ex-técnico da seleção brasileira Fernando de Carvalho Lopes disse ser a pessoa mais interessada em falar a respeito das denúncias. Ele aguarda a intimação para comparecer à Delegacia da Mulher, do Adolescente e da Criança de São Bernardo do Campo, onde corre desde 2016 inquérito para investigar o caso.

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O ex-treinador do Mesc (Movimento de Expansão Social Católica), clube particular onde teria ocorrido os abusos, também foi convocado a prestar depoimento tanto na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instalada no Senado que investiga crimes relacionados a maus-tratos a crianças e adolescentes no Brasil quanto na audiência pública que pretende debater o escândalo relacionado à ginástica artística que veio à tona no último dia 29 de abril em reportagem do Fantástico, da Rede Globo.

"É a oportunidade de falar e temos muita coisa para falar. Mas tudo no seu momento", afirmou Fernando, ao jornal Diário do Grande ABC. Antes de comparecer aos eventos em Brasília, ele quer falar primeiro com a delegada Teresa Alves de Mesquita Gurian, que conduz o inquérito policial. Ela já havia informado que o acusado seria a última pessoa a prestar depoimento.

"Vou atender tudo o que for necessário. Mas a ideia é que marquem depois, e primeiro que eu preste contas na delegacia. Sou quem mais quer falar. Não adianta colocar a carroça à frente dos burros. Hoje a primeira pessoa a quem vejo necessidade de prestar conta é a delegada. Sou inocente", alegou Fernando.

Entenda o caso

Ao todo, 40 ginastas e ex-ginastas afirmaram que foram vítimas de abusos sexuais praticados por Fernando de Carvalho Lopes entre 1999 e 2016, quando ele era técnico do Mesc, clube do qual se encontra afastado de todas as funções desde que as denúncias vieram à tona. O processo foi aberto em junho de 2016. Até agora, 23 pessoas já foram ouvidas na delegacia, entre vítimas e testemunhas.

Na semana passada, foi cumprido mandado de busca e apreensão na casa dos pais do treinador, onde ele também reside atualmente, em São Bernardo. Foram recolhidos CDs, DVDs, pen drives, HD externo e fita cassete. A polícia não divulgou o conteúdo do material.

O Conselho Tutelar de São Bernardo já sugeriu ao Ministério Público que Fernando não trabalhe mais com crianças ou adolescentes. Ele também poderá ser exonerado da Prefeitura de Diadema (é concursado) e perder seu registro no Conselho Regional de Educação Física - existe um processo que corre em sigilo desde 2016.

Ainda há desdobramentos na esfera esportiva. Algumas vítimas querem que o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) da modalidade apure o caso para eventualmente banir o treinador do esporte. No COB (Comitê Olímpico do Brasil), a Comissão de Atletas encaminhou uma representação ao Conselho de Ética da entidade pedindo esclarecimentos sobre a responsabilidade da CBG (Confederação Brasileira de Ginática) e do técnico Marcos Goto, coordenador de seleções, no caso - Goto é acusado de omissão, por supostamente ter conhecimento da história e não tomar providências.

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