Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

SP pode perder o GP se Autódromo de Interlagos não for reformado

Bernie Ecclestone almoçou com o governador de Santa Catarina, interessado no evento

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h04

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo corre o sério risco de ficar de fora do calendário da Fórmula 1, se não investir na reforma de Interlagos ou até mesmo partir para a construção de um novo autódromo. O Estado apurou com exclusividade que sábado, em uma reunião na capital paulista, Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, debaterá o assunto com o prefeito Gilberto Kassab e principalmente com o prefeito eleito Fernando Haddad. Há vários interessados em receber a F-1, caso São Paulo não tenha mais condições de organizar a corrida a partir de 2015. Ontem, Ecclestone almoçou, em Florianópolis, com o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, e o motivo da viagem foi discutir a questão.

A reforma de Interlagos é uma velha disputa entre a Prefeitura e a F-1. No primeiro semestre, um projeto foi elaborado e apresentado a Ecclestone, que o aprovou e garantiu que São Paulo ficaria no calendário até 2022. Naquele momento, Kassab indicou ao promotor que as obras seriam realizadas. Mas alertou que no meio do caminho haveria eleições para a Prefeitura de São Paulo. O contrato atual é até 2014.

O que ainda preocupa Ecclestone é que os novos administradores da cidade não deram nenhuma indicação de estarem dispostos a fazer o investimento para enquadrar Interlagos aos padrões mínimos de exigências da F-1. Na última administração do PT na Prefeitura de São Paulo, a então prefeita Marta Suplicy chegou a se queixar com Ecclestone de que o evento custava caro para a cidade. O britânico não hesitou em lembrar à ex-prefeita de que a fila é grande de cidades dispostas a receber a F-1.

Ontem, a maior parte dos equipamentos para a corrida que vai apontar, domingo, o campeão do mundo, Sebastian Vettel, Red Bull, ou Fernando Alonso, Ferrari, desembarcou em Interlagos.

NOVO AUTÓDROMO 

Para bancar as reformas necessárias, como a edificação de novos boxes, seu deslocamento para a Reta Oposta, uma área de paddock, dentre outras obras, a exemplo da criação de uma rede de esgoto para Interlagos, a cúpula da F-1 estima que a Prefeitura teria de reservar US$ 120 milhões (R$ 240 milhões). Por isso ganha força a ideia da construção de um novo autódromo, fora da cidade de São Paulo, que seria bancado com recursos do governo do Estado e da iniciativa privada.

O projeto custaria mais, cerca do dobro, mas haveria importantes vantagens. Uma das opções já pensadas seria utilizar a região do aeroporto de Viracopos ou de Cumbica. A localização resolveria muitos dos problemas de infraestrutura de Interlagos.

OUTRA OPÇÃO 

Como desta vez Ecclestone chegou ao Brasil antes do normal, pôde atender convites, como o do governador de Santa Catarina. Apesar do caráter reservado do encontro, obviamente o assunto foi a eventual possibilidade de o estado passar a receber a F-1.

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