SportAccord pede reforma no COI e tenta frear debandada de federações

Um mês depois de fazer duras críticas ao Comitê Olímpico Internacional e sugerir a criação de uma competição concorrente dos Jogos Olímpicos, o presidente da SportAccord, Marius Vizer, deu o primeiro passo para trás em busca de entendimento como o COI. Nesta quinta-feira, apresentou uma lista de 20 propostas de reforma no COI. A iniciativa tenta frear a debandada de federações internacionais. Só nesta quinta, mais três deixaram a SportAccord: curling, tênis de mesa e rúgbi. O hipismo anunciou que vota sua saída no próximo dia 9.

Estadão Conteúdo

21 de maio de 2015 | 15h29

Na terça, Vizer já havia demonstrado interesse em se reunir com o COI para aparar as arestas. O dirigente do judô revelou que propôs uma reunião com Thomas Bach, presidente do COI, mas não informou se colega aceitou o convite. De acordo com o mandatário da SportAccord, a reunião é "necessária para o benefício e a unidade de todo o movimento esportivo".

A SportAccord reúne sob seu guarda-chuva as federações internacionais de modalidade, sejam elas olímpicas ou não, e diversos outros atores do esporte internacional, como os organizadores dos Jogos Pan-Americanos e Asiáticos e sindicatos de trabalhadores ligados ao esporte.

Na prática, a SportAccord não tem direito a qualquer ingerência sobre o COI - sequer está entre as entidades filiadas ao Comitê Olímpico Internacional. Assim, as iniciativas propostas por Vizer nesta semana estão sendo vistas como uma tentativa de demonstrar que as críticas ao COI não eram uma tentativa de enfraquecer a entidade, e sim de sugerir melhoras.

Na lista apresentada nesta quinta-feira aparecem uma série de medidas que beneficiariam apenas dirigentes, como a garantia de ingressos para presidentes de federações nacionais e o direito de presidentes de federações internacionais de entregar medalhas nos Jogos Olímpicos. Os dois grupos fazem parte da assembleia geral da SportAccord.

Depois de receber o pedido de desfiliação de 18 federações internacionais olímpicas, Vizer agora cobra que o COI aumente o repasse de verbas para estas entidades e para as federações nacionais.

De forma geral, a lista com 20 itens da reforma proposta por Vizer tentam ampliar o espaço dos esportes não-olímpicos dentro do Comitê Olímpico Internacional, que tradicionalmente trabalha para o desenvolvimento apenas das modalidades que fazem parte do programa dos Jogos - a SporAccord vinha se concentrando nas demais. Entre as propostas, está a permissão para que todos os esportes não-olímpicos possam fazer demonstrações antes ou depois dos Jogos Olímpicos, nas cidades sedes deste evento.

Outro ponto bastante polêmico levantado por Vizer é a proposta para que os atletas recebam premiação em dinheiro pelos resultados nos Jogos Olímpicos, acabando com um dos princípios do olimpismo.

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