STJD promete mais rigor aos infratores

Flávio Zveiter, presidente do Tribunal, não vai dar trégua aos caloteiros que não honrarem as multas aplicadas pela corte

SÍLVIO BARSETTI / RIO , O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h05

Medidas mais rigorosas contra o calote dos punidos com multa pela justiça esportiva e para os clubes cujos torcedores utilizem laser nos jogos, a fim de prejudicar adversários e árbitros, vão ser adotadas a partir da próxima edição do Campeonato Brasileiro, que começa em 26 de maio. É a promessa do presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Flávio Zveiter, que ocupa o cargo há quase um ano e promoveu uma distribuição mais equilibrada entre os auditores das cinco comissões disciplinares e do Pleno do STJD: a maioria dos Estados está hoje representada no tribunal.

Em entrevista ao Estado, Flávio - o terceiro da família na presidência do STJD: sucedeu o tio, o deputado federal Sergio Zveiter, e o pai, o desembargador Luiz Zveiter - consolida um estilo mais discreto. "Quanto menos STJD na imprensa, maior a possibilidade de sucesso", diz.

Flávio trabalha em conjunto com a direção da CBF para um outro alerta: durante toda o campeonato de 2013, minutos antes do início de cada jogo, uma mensagem será transmitida ao público pelo sistema de som do estádio com o objetivo de evitar que o torcedor pratique atitudes que, mesmo ingenuamente, possam trazer prejuízo aos clubes.

"São pontos esclarecedores da legislação esportiva; vai ser um trabalho preventivo. Às vezes, uma bolinha de papel ou um copo plástico lançado sobre um bandeirinha, por exemplo, pode custar ao infrator muita dor de cabeça e deixar seu clube a ponto de perder mando de campo."

Ultimamente, uma das questões que mais atormentam o STJD é a inadimplência nas multas aplicadas a atletas, treinadores, árbitros, dirigentes e clubes. Muitos simplesmente ignoram as decisões do tribunal. Essas punições, em geral, substituem penas mais elevadas. Por exemplo: um atleta condenado pela justiça esportiva por infração não tão grave pode eventualmente trocar a suspensão de alguns jogos pelo pagamento de multa. Isso fica decidido no plenário e o dinheiro muitas vezes não chega ao caixa da CBF - destino final dessas verbas.

"A partir de agora, quem não pagar o que deve no prazo fixado, vai ter de acertar tudo no máximo em 72 horas. Passou disso, não tem mais conversa, eu encaminho um ofício à CBF. Se o inadimplente for um clube, vai ser banido da competição que disputa."

No caso de o alvo ser pessoa física, será suspenso automaticamente de suas atividades até o cumprimento da decisão. Isso vale mais para atletas, árbitros, treinadores e dirigentes. "Quando assumi o STJD, em julho de 2012, não havia nenhum controle sobre isso, a gente não sabia quem tinha ido ao caixa da CBF para saldar suas dívidas com a justiça esportiva. Agora há um cruzamento de dados que nos dá uma resposta mais rápida."

Laser. Virou hábito em estádios de várias partes do mundo que torcedores usem laser para prejudicar a visão de goleiros, árbitros, etc. Isso ocorre também com frequência no Brasil. De acordo com Flávio Zveiter, o tribunal já prevê punições para quem faz isso. Mas, a partir de agora, se houver vários desses incidentes numa única partida, o clube ao qual pertençam os torcedores deve ser punido com perda de mando de campo. "Isso incide também na detenção dos infratores, que têm de ser levados à delegacia mais próxima para lidar com a justiça criminal."

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