Sua turma

O técnico tem na cabeça a equipe que vai disputar a Copa das Confederações em 2013

MATEUS SILVA ALVES, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h05

Se em um futuro distante algum historiador do futebol decidir estudar o desempenho da seleção brasileira em 2012, provavelmente ele concluirá que o fato mais marcante foi a perda da medalha de ouro olímpica para o México. É justo, mas Mano Menezes, se vivo estiver, poderá argumentar que a temporada também teve coisas boas para a equipe nacional. A mais importante delas: o treinador, depois de atirar para todos os lados, finalmente acertou o alvo e encontrou a formação que, salvo acidentes de percurso, defenderá o Brasil na Copa das Confederações, no ano que vem, e na Copa do Mundo de 2014.

É bem verdade que o treinador gaúcho ainda não caiu nas graças do povo brasileiro - e talvez jamais caia -, mas também é fato que ele terminou o ano de 2012 bem melhor do que começou (aqui cabe um aparte: a seleção ainda tem um compromisso neste ano, o Superclássico das Américas, contra a Argentina, mas ele conta muito pouco porque Mano não poderá usar sua equipe principal). No primeiro semestre, o futebol da equipe não convencia ninguém e os boatos de demissão, que já eram corriqueiros, ganharam ainda mais força quando Ricardo Teixeira deixou a presidência da CBF e José Maria Marin assumiu o cargo.

Com a frieza que lhe caracteriza, Mano atravessou a tempestade como se nada estivesse acontecendo e aos poucos foi moldando sua equipe. Primeiro ele deixou de lado jogadores que não estavam bem, como Ronaldinho Gaúcho e Paulo Henrique Ganso, e depois "descobriu" Oscar, apostou em uma dupla de volantes formada por dois jogadores técnicos (Paulinho e Ramires), abriu espaço para Kaká e, por fim, decidiu escalar o time sem um centroavante. Essa receita resultou em uma seleção ofensiva, que joga com a bola no pé e tenta sempre dominar as partidas. Foi o que se viu no amistoso contra a Colômbia, na quarta-feira, que o Brasil só não venceu porque perdeu muitos gols.

Após o jogo, disputado em Nova Jersey, Estados Unidos, Mano elogiou seus comandados por jamais abandonarem a nova maneira de jogar da seleção, muito diferente dos tempos de defesa fechada e contra-ataques de Dunga.

"A cada jogo, o que mais importa é que a seleção não fuja da maneira que queremos que ela resolva os problemas. E isso me agradou quando encontramos dificuldades e saímos atrás no marcador", comentou o treinador. "Nós não mudamos a nossa característica. Já temos uma filosofia firme e vamos crescer nos próximos meses."

Embora ainda faltem sete meses para a Copa das Confederações, o treinador sabe que a preparação para esse torneio já está acabando. Antes de anunciar a lista dos jogadores que disputarão a competição, a seleção fará apenas mais três amistosos - o primeiro deles contra a Inglaterra, em Londres, em fevereiro do próximo ano. Sendo assim, não haverá muitas oportunidades para fazer testes, mas Mano sente que não existe mais necessidade de testar muita gente. Sua base está pronta, e ele não esconde isso de ninguém.

Segundo o treinador, o mais forte sinal de que a seleção está no caminho certo é o fato de os jogadores terem compreendido bem o estilo de jogo que ele decidiu implantar na seleção e, por consequência, sentirem-se muito confiantes. "Essa confiança se adquire com aquilo que estamos produzindo dentro de campo", falou Mano. "Os jogadores precisam sentir (a confiança), e isso já está presente no vestiário. Dessa maneira, e com um crescimento mais estável, vamos estar muito bem lá na frente."

Dúvidas. O time que o gaúcho tem na cabeça para brilhar "lá na frente" é o que empatou com a Colômbia, mas com Marcelo e Hulk (que não jogaram por estarem machucados) no lugar de Leandro Castán e Thiago Neves, respectivamente. Essa equipe foi forjada nos amistosos que a seleção disputou neste ano e também na Olimpíada, que Mano usou para observar alguns jovens com potencial para jogar no time principal.

Apesar de o técnico já ter a equipe pronta, não é impossível que alguma coisa mude até a Copa das Confederações e, principalmente, até a Copa do Mundo. Duas são as principais dúvidas de Mano: Ramires e Paulinho são capazes de proteger bem a defesa em jogos contra seleções de primeira linha? Diego Alves é o goleiro certo para ser titular da seleção?

A primeira dúvida começou a ser elucidada na quarta, quando os dois volantes fizeram um bom trabalho defensivo diante de uma equipe muito perigosa. Só que Mano ainda quer provas concretas da eficiência defensiva de Paulinho e Ramires - a alternativa é trocar um deles por um volante marcador, como Sandro. Quanto a Diego, ele ainda precisa de um teste realmente duro, daqueles que consagram ou derrubam um goleiro de seleção. Ao contrário do que se esperava, a partida contra a Colômbia de Falcao García não foi esse teste.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.