Sucessão de Carpegiani já é assunto no Morumbi

Diretoria não confirma saída do técnico, que vai exigir multa rescisória, mas nomes de Cuca e Silas ganham força

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2011 | 00h00

Bastaram três jogos para que o São Paulo de Carpegiani ruísse. Com a queda na Copa do Brasil e no Estadual em menos de duas semanas, o treinador ficou sozinho no Morumbi: perdeu apoio da torcida, diretoria e elenco. Sua saída do clube é questão de tempo - até o início da noite de ontem, porém, não havia sido confirmada. Entre os nomes para o Campeonato Brasileiro, Cuca, do Cruzeiro, e Silas, do Avaí, surgem como principais possibilidades.

O técnico, que permaneceu em Santa Catarina, se apresentará na segunda-feira ao clube e, segundo pessoas próximas, não vai abrir mão da multa rescisória (cujo valor não foi revelado). Vaiado pela torcida e sem respaldo dos dirigentes, ele se nega a voltar a trabalhar com Rivaldo.

Classificada como desastrosa pela diretoria, a derrota por 3 a 1 para o Avaí em Florianópolis trouxe crise inesperada. "Não imaginávamos uma atuação tão ruim, sentimos o golpe. Analisamos a situação hoje (ontem) e já conversamos entre nós, da diretoria. No fim de semana devemos ter uma definição", disse o vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que evitou confirmar a demissão de Carpegiani. "Percebemos certa insatisfação (no elenco). Há sinais claros de que algumas coisas precisam ser revistas, o que pode desembocar na troca do técnico para retomar os bons resultados", admitiu.

Cuca, do Cruzeiro, mantém boa relação com os dirigentes tricolores e está na lista de possíveis substitutos - tudo depende da final do Campeonato Mineiro, no domingo, em que o time celeste precisa vencer o Atlético-MG para levar o título. Com passagem pelo Morumbi em 2004, Cuca ficou marcado pela queda na Taça Libertadores daquele ano diante do Once Caldas. Deixou, porém, boa impressão por ter montado o time que foi campeão mundial no ano seguinte.

Outra opção que ganhou força entre os conselheiros do clube é Silas, treinador do carrasco são-paulino na Copa do Brasil. Ex-jogador do Tricolor, o técnico de 45 anos foi sondado anteriormente e já vinha sendo cogitado antes mesmo do duelo de anteontem- a classificação do Avaí, porém, dificultou as coisas.

A oito dias do início do Brasileiro, o São Paulo admite que terá dificuldade para achar técnicos disponíveis no mercado. "Os bons técnicos estão empregados. É assim mesmo. Mas é claro que existe a chance de o São Paulo ir atrás de um técnico empregado. Esta é a lei do futebol, e eu não sou diferente", disse ontem o presidente Juvenal Juvêncio. "Sem agir com pressa, esta diretoria sempre teve atitude e agora terá outra vez."Antes de contratar Carpegiani, o time ficou quase dois meses com o interino Sérgio Baresi no ano passado.

Sobras. A mudança do técnico no São Paulo deve ser acompanhado por alterações no elenco. "Entendemos que existe um elenco bem composto, até com alguma sobra. Por isso, demos início a este processo com a saída do Fernandão e do Cléber Santana (emprestado ao Atlético-PR)", disse Leco. Os próximos na lista devem ser o lateral esquerdo Júnior César, que interessa a Grêmio e Cruzeiro, e o volante Rodrigo Souto.

Para o dirigente, não há grande necessidade de muitos reforços, mas alguns ajustes serão feitos. "As principais necessidades estão na lateral direita e na zaga central, com a saída de Miranda", afirmou ele. Alex Silva, cujo empréstimo se encerra no fim de julho, praticamente selou seu retorno ao Hamburgo, da Alemanha, com uma péssima atuação no jogo de Florianópolis - ele já havia ido mal na derrota para o Santos (2 a 0) no Morumbi, que eliminou o time do Paulista. / COLABORARAM MARCIUS AZEVEDO E WILSON BALDINI JR.

 

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