Sucesso de brasileiros no hipismo vira problema para dirigentes

Sucesso de brasileiros no hipismo vira problema para dirigentes

Brasil consegue classificar um úmero recorde de conjuntos para os Jogos Mundiais, mas não tem dinheiro para viagem

Valéria Zukeran, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2010 | 18h45

Amazona Luiza Almeida, que conquistou a vaga para os Jogos Mundiais de 2010

 

SÃO PAULO - O atual sucesso do hipismo brasileiro está sendo um ‘problema’ para seus dirigentes. Um número recorde de conjuntos, 31, garantiu índice para participação dos Jogos Mundiais Equestres, de 25 de setembro a 10 de outubro no Kentucky, Estados Unidos, e a dificuldade agora é conseguir dinheiro para bancar as despesas de viagem. A competição, realizada a cada quatro anos, tem eventos de salto, adestramento, CCE (concurso completo de equitação), volteio, rédeas, enduro, atrelagem e adestramento paraequestre.

 

Tirando a atrelagem, o Brasil garantiu vaga para equipe completa em todas as outras modalidades. "Vamos ter participação inédita, por exemplo, no adestramento, que já classificou três conjuntos e ainda pode ter um quarto", diz o secretário executivo da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), Luiz Rocco. Outras modalidades, por sua vez, aumentaram a participação, como o volteio, que levou 6 atletas em 2008 e vai levar 8, e rédeas, que levou 3 e terá quatro.

 

Esse progresso aumenta os custos em progressão geométrica pois com o aumento do número de participantes é preciso gastar mais com o transporte dos cavalos além de estadia e passagens de tratadores, veterinários e atletas. Segundo Rocco, os organizadores pagam apenas parte do custo. "A quarentena dos cavalos (período obrigatório de observação dos animais para evitar a disseminação de doenças veterinárias) e as estadias dos atletas, de um dia antes até um dia após as competições, correm por conta dos organizadores. O resto tem de sair do nosso bolso."

 

É aí que a coisa complica. Segundo Rocco, o orçamento para fazer uma preparação e uma participação "ótima" para o Mundial, com aclimatação dos atletas e treinos no Kentucky é de, aproximadamente R$ 2,5 milhões. "Recebemos anualmente R$ 1,8 milhão anuais de verbas da Lei Piva, dos quais R$ 600 mil vão para as Federações Estaduais. O restante é usado para custear todas as despesas de todas as modalidades. Fora isso, temos os ganhos com a taxa de passaportes dos cavalos e da organização de concursos, que chega a aproximadamente R$ 200 mil."

 

A CBH conseguiu no mês passado a aprovação de um projeto da Lei de Incentivo ao Esporte para o Mundial de R$ 4 milhões. "Mas já imaginávamos que seria difícil captar tudo isso", diz Rocco. Até agora, segundo o secretário, tudo que a entidade conseguiu foram os R$ 200 mil mínimos exigidos, por parte do Grupo Gerdau, para que o projeto fosse aprovado. É o suficiente, apenas, para pagar o custo do transporte dos cavalos que estão no Brasil para o Kentucky. "Ainda nem recebemos o orçamento dos cavalos que virão da Europa. Podem ser em menor quantidade, mas como os custos são em Euro poderemos ter um gasto semelhante ao do Brasil."

 

Segundo Rocco, o hipismo sofre uma espécie de preconceito ao contrário. "Os dirigentes acham que é um esporte de elite e, por isso, não precisamos de dinheiro." A CBH é a única das confederações com medalha de ouro olímpica que não conta com patrocínio de uma empresa estatal. "Tentamos conseguir parte do dinheiro com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) mas eles nos responderam que só financiam eventos continentais, como Pan-americanos e Sul-Americanos e Olimpíadas."

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