Sucesso do time mascara infraestrutura deficiente

Promessa de construção do CT ficou para o fim de 2013 e clube se vira treinando nas Laranjeiras e na Escola do Exército

LEONARDO MAIA, SÍLVIO BARSETTI / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h02

Dono de campanha incontestável, o Fluminense conquistou seu quarto título brasileiro sem, no entanto, avançar na estruturação do clube e do departamento de futebol. Em março do ano passado, quando deixou o Tricolor, o técnico Muricy Ramalho lamentou problemas que não condiziam com a condição de campeão nacional. Foi com Muricy que o clube também ganhou outro Brasileiro, o de 2010.

Desde então, pouco mudou. Muricy reclamava principalmente da falta de um centro de treinamento, com o qual os jogadores pudessem interagir, com gramados em ótimas condições, academia, sala de fisioterapia, refeitório, vestiários confortáveis e funcionais e hospedagem no mesmo local.

O centro de treinamento é o grande passo para uma fase mais profissional do clube. O técnico Abel Braga, campeão brasileiro ontem pela primeira vez, recebeu em 2011 a promessa de que o espaço estaria pronto neste ano. Mas o prazo já foi revisto e estendido para o final de 2013.

"Não vou ficar comentando sobre o que o Muricy disse. Posso dizer que quando cheguei a situação era ruim. Mas nos preocupamos em trabalhar duro, dentro e fora de campo. Tivemos dificuldades, mas hoje a situação é melhor. Estamos treinando na Urca (Escola de Educação Física do Exército) de vez em quando. O gramado das Laranjeiras há até pouco tempo estava muito ruim, mas deu uma melhorada agora", declarou Abel, disposto a fugir de polêmicas.

O presidente Peter Siemsen reconheceu que o Fluminense precisava se reestruturar logo que assumiu o clube, em 2011. Ele deu ênfase em sua campanha ao projeto do CT, mas esbarrou na falta de recursos e em encontrar uma área apropriada para construí-lo. Em agosto, o clube inaugurou um novo vestiário nas Laranjeiras e uma academia com equipamentos modernos. Ainda longe de atender à cobrança de seus principais jogadores.

Os que por ali ainda se destacam e ganham notoriedade com os títulos preferem ser mais cautelosos. Outros, que já saíram, não economizam nas críticas. Campeão brasileiro em 2010, Belletti disse que o gramado do estádio das Laranjeiras é um convite a uma lesão muscular ou algo parecido.

O problema persiste até hoje e ninguém no clube esconde o dilema. Tanto que ultimamente o Fluminense tem optado bastante por levar suas atividades de campo para a escola da Urca, também na zona sul do Rio. "A gente machucava nossos jogadores em todo momento. Era um absurdo trabalhar naquele campo", protestou Muricy, logo de que deixou o Fluminense.

"O campo das Laranjeiras não é realmente o ideal, mas a diretoria está se mobilizando para acertar isso", rebateu Abel, que se sente incomodado toda vez que abordam o tema.

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