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Suíça extradita Jeff Webb, vice-presidente da Fifa

Acusado de corrupção, dirigente aguarda julgamento nos EUA 

JAMIL CHADE / CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2015 | 06h13

A Suíça extraditou aos EUA o vice-presidente da Fifa, Jeff Webb, acusado de corrupção e fraude no escândalos envolvendo milhões em propinas e subornos no futebol. Webb, suspeito de ter recebido propinas de mais de R$ 10 milhões da empresa brasileira Traffic, foi um dos sete cartolas presos no dia 27 de maio em Zurique. Ele foi o único que concordou de forma espontânea a ser extraditado aos EUA.

Segundo a Justiça suíça, ele foi transferido nesta quarta-feira (15) para Nova York e já está em uma prisão americana aguardando julgamento. Webb era o favorito para ser o sucessor de Joseph Blatter na presidência da Fifa e ocupava o cargo de presidente da Concacaf.

"O dirigente foi entregue a uma escolta de três homens da polícia americana em Zurique. O grupo o acompanhou em um voo para Nova York", disse o Departamento de Justiça da Suíça em um comunicado. 

Se ele aceitou ser extraditado, todos os demais vão viver uma longa batalha judicial, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF e que se recusou nesta semana a sair da Suíça. Seus advogados acreditam que o processo legal pode durar até o final do ano. 

Por anos, Webb criou em torno de si uma aura de “Mr. Clean”, ao ponto de apenas aceitar cortar o cabelo em um determinado local que o cobrava apenas US$ 10,00. 

PERFIL

Com apenas 27 anos, Webb era o presidente do clube Strikers Football Club, em sua cidade natal nas Ilhas Cayman. Com menos de 30 anos, já era o principal dirigente da Associação de Futebol do país onde o futebol é insignificante. Mas ele também ganharia o apoio de muita gente dentro da Fifa. Na entidade em Zurique, seu primeiro cargo foi a vice-presidência do Comitê de Finanças, um posto apropriado para um banqueiro do maior paraíso fiscal do planeta.

Se oficialmente ele havia sido eleito para a Concacaf para substituir uma era de corrupção na entidade e limpar o local, a realidade é que Webb apenas perpetuou o sistema, inclusive pedindo mais dinheiro. Ele ficaria com US$ 3 milhões e, em troca, assinaria um contrato com a empresa brasileira Traffic para dar os direitos exclusivos para que explorasse os direitos de TV dos jogos das Eliminatórias do Caribe para as Copas do Mundo de 2018 e 2022. O dinheiro era parte de um pacote de US$ 23 milhões em subornos que o empresário José Hawilla pagaria para a União de Futebol do Caribe. 

Outros US$ 2 milhões seriam dados para Webb para os contratos da Concacaf para a realização da Golden Cup a partir de 2013 e para a Liga dos Campeões da região. Praticamente imediatamente depois de assumir suas funções, Webb retomou o envolvimento com os esquemas criminosos », indicou o indiciamento do dirigente. 

O que surpreenderia os investigadores americanos é que, em 2012, parte do dinheiro foi transferido para Webb usando uma empresa que estava construindo uma piscina em sua casa de Loganville, nos EUA. Outra parcela caiu na conta de um assessor e amigo de Webb, Costas Takkas. O laranja, porém, transferiria os recursos depois para a conta do dirigente esportivo. 

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