Sul-americanos invictos nos gramados da África

Quinteto formado por Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai lidera seus grupos e soma oito vitórias em 10 jogos

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

O principal exportador de "pé-de-obra" para o mercado do futebol mundial tem mostrado na África do Sul, ao menos até agora, que o talento é mesmo sul-americano. As cinco seleções do subcontinente ? Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai ? estão invictas e lideram seus grupos no Mundial.

O quinteto conseguiu somar oito vitórias em 10 jogos, com 18 gols marcados e apenas quatro sofridos. O melhor saldo é da Argentina, com cinco ? três deles do atacante Gonzalo Higuaín, artilheiro da Copa. O Brasil, apesar da destacada defesa, foi vazado duas vezes (Uruguai e Chile não levaram gols) ? o que importa pouco, afinal, o time de Dunga é o único da região já garantido nas oitavas de final.

O desempenho sul-americano é digno de dar inveja a poderosas seleções europeias, que têm penado nos campos sul-africanos. Basta ver a difícil situação da França, que pode passar de vice-campeã do mundo a eliminada na primeira fase em apenas um jogo, e os tropeços de Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália.

Para Diego Maradona, a oposição dos resultados entre sul-americanos e europeus é facilmente explicada pelos caminhos que levam ao Mundial. "Os jogos classificatórios (para a Copa na América do Sul) são muito mais competitivos que na Europa. O Equador, por exemplo, poderia estar aqui, sem dúvida alguma. Em compensação, lá eles jogam contra as Ilhas Faroe."

Oscar Tabaréz, do Uruguai, diz que a predominância sul-americana não deveria ser motivo de surpresa. "Todas as equipes são boas e mostraram isso nas Eliminatórias", disse o técnico, que, contudo, prefere não se empolgar com os números. Ao menos por enquanto. "Alguns europeus não estão conseguindo bons resultados, mas esta situação também não é inédita." Maradona bem lembrou: "Em 1982, a Itália empatou com Camarões e Peru. Todos queriam matá-los. E aí, todos sabem, ficaram com o título."

Menção honrosa. A seleção mexicana, 2.ª colocada no Grupo A, também merece ser lembrada como parte deste sucesso, dizem Maradona e Gerardo Martino, técnico do Paraguai. Embora faça parte da Concacaf , o México participa regularmente de competições sul-americanas, como a Copa América, Taça Libertadores e Copa Sul-Americana. "É a seleção que mais me impressionou", garante Martino. "Tenho gostado muito do México porque é um time sólido na defesa e que ataca permanentemente", justificou Maradona. / COM AGÊNCIAS

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