Supremacia sul-americana

Aconteceu o que todos imaginavam no grupo do Brasil. A seleção brasileira garantiu o primeiro lugar e o México ficou com a segunda vaga.

Deco, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2014 | 02h06

Na partida contra Camarões o Brasil continuou evoluindo e jogou melhor. Marcou pressão, criou oportunidades e marcou os gols. Buscou se aproximar do futebol apresentado na Copa das Confederações. Destaco duas situações na seleção brasileira nesta primeira fase. A primeira diferença é o Neymar, que tem uma qualidade absurda e que está desequilibrando.

A outra diferença é justamente a própria Copa do Mundo, que tem um nível elevadíssimo. Por isso encontra mais dificuldades. O Brasil não vai jogar igual ao que apresentou no ano passado, mas para mim segue como favorito. Só não pode esquecer que em Copa do Mundo as seleções favoritas vêm com outro espírito.

Todas as seleções campeãs do mundo se preparam para repetir a conquista. E as outras seleções se preparam para ser a sensação da Copa. Querem ser a surpresa que ficará para a história. Costa Rica saiu na frente ao garantir o primeiro lugar no "grupo da morte". Apresentou bom futebol e jogadores com qualidade.

As cinco seleções sul-americanas cumpriram o seu papel. Há uma supremacia das equipes da América do Sul contra as seleções europeias. Para mim é uma surpresa isto ter acontecido. Não esperava. Seleções campeãs do mundo como Espanha, Itália e Inglaterra foram eliminadas. E outras boas seleções da Europa deverão ser eliminadas durante esta semana. Inclusive outras seleções da América também estão classificadas, como a surpresa Costa Rica e o México. Os norte americanos também garantiram vaga. Estas seleções estão jogando um futebol de bom nível, competitivo e com um bom conjunto.

Além da qualidade demonstrada em campo, me chama a atenção a forte presença do torcedor argentino, chileno, colombiano e uruguaio nos jogos. Inclusive os mexicanos, que invadiram o nordeste brasileiro. Creio que este aspecto ajuda a desequilibrar principalmente contra os europeus.

O outro aspecto é a velha catimba, malandragem e a forma intensa de jogar dos sul-americanos com esta atmosfera de disputa. Os europeus não entendem esta catimba, principalmente dos uruguaios e argentinos. Eles não estão preparados para enfrentar estas situações. São jogos disputados no limite. Até os brasileiros sofrem com isso.

Esta atitude de Luis Suárez no jogo contra a Itália ao morder o zagueiro Chiellini chega a ser engraçada. A intensidade da partida e da emoção leva estes jogadores a atitudes extremas em busca da vitória. Chamamos de garra e vontade de vencer.

Isso é inaceitável no futebol europeu. Mas no futebol sul-americano tem outro significado. Cabe à arbitragem manter o jogo dentro das regras e mediar a disputa. Não é fácil. E vimos isso nesta disputa entre Uruguai e Itália. Veremos outros jogos com esta mesma intensidade.

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