Surdez não tira o sonho de húngaro ser medalha de ouro

Nobert Kalucza, de 21 anos, dá exemplo de superação e vai aos Jogos

Wilson Baldini Jr., O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

O boxe é um esporte violento, que muitas vezes deixa seqüelas em seus praticantes. Mas para o húngaro Norbert Kalucza o efeito foi contrário. Ao nascer, há 21 anos, na pequena Debrecen, Kalucza apresentou uma doença congênita, que lhe valeu a surdez permanente e a falta da fala até os dez anos de idade. Todos os seus seis irmãos possuem sintomas da doença. "Ele começou a dizer as primeiras palavras após algumas sessões de boxe", disse a mãe Marie, que vibrará muito quando o filho subir no ringue do Worker?s Gymnasium, em Pequim, para a disputa dos Jogos Olímpicos.Kalucza ganhou o direito de sonhar com a medalha de ouro, ao se sagrar campeão da primeira seletiva européia no início de março, em Pescara, Itália. O húngaro venceu com sobras seus adversários na categoria dos galos (até 51 quilos). Passou pelo francês Jerome Thomas, na estréia, com um tranqüilo placar de 29 a 19. Derenik Gizhlary, da Armênia, não foi obstáculo: 37 a 19. Na semifinal, o alemão Marcel Schneider foi o melhor oponente, mas também caiu: 26 a 20. A decisão não poderia ser melhor. Khalid Yafal, da Inglaterra, machucado, não apareceu e perdeu por W.O.."Trata-se de um sonho que eu espero que só acabe em Pequim, comigo no lugar mais alto do pódio", afirmou Kalucza, que foi levado à nobre arte por Janos Varadi, peso mosca medalhista de bronze olímpico em Moscou/1980. "Ele é um grande amigo da família e descobriu o talento de Norbert desde cedo", disse Marie, que precisou obter certificados médicos para iniciar o filho nos treinamentos. Sua carreira tem sido brilhante. Em 2005, aos 18 anos, sagrou-se campeão nacional júnior. No ano seguinte, o título entre os adultos lhe garantiu a chance de entrar na equipe olímpica de seu país. Se dentro do ringue Kalucza não tem encontrado adversários, fora do ringue a gula é um problema a ser vencido. "Deveria lutar entre os 57 quilos, mas preciso baixar o peso", reconheceu o atleta. "Desta forma, me sinto mais forte e não perco a velocidade nos punhos e nas pernas."Campeão europeu, aponta maiores adversários na China, em agosto. "Meu título é importante, mas sei que na minha categoria os asiáticos são muito fortes", reconheceu. "Também temos alguns latinos muito bons, além dos africanos. E não podemos esquecer dos cubanos." Kalucza é um vencedor.

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