Hélio Antonio/Divulgação
Hélio Antonio/Divulgação

Surfista Caio Vaz passa sufoco na costa carioca e nada por 1h30 no escuro

Surpreendido por um grande temporal, o brasileiro perdeu o barco enquanto fazia caça submarina nas Ilhas Cagarras

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 16h43

O surfista Caio Vaz, que é finalista do Big Wave Awards, da World Surf League (WSL), concorrendo nas categorias Onda do Ano e Maior Onda do Ano, passou por maus apuros no mar, durante um forte temporal essa semana no Rio de Janeiro. 

Caio foi surpreendido pela tempestade enquanto praticava caça submarina com os amigos Nuno Greenman e Arthur Cumplido, próximo às Ilhas Cagarras, perdeu o barco e foi obrigado a retornar para o continente nadando no escuro.

A aventura durou algumas horas, entre o início da tempestade no arquipélago, situado a cerca de 4,5 km da costa da capital fluminense, e a chegada em terra firme, passando por momentos tensos, como ficar totalmente no escuro no meio do mar, com ondulações. 

Os três ancoraram o barco e ao notarem o tempo mudar, decidiram voltar, mas não encontraram a embarcação. Subiram numa pequena laje, ficaram em pé, tentando a localização e ali enfrentaram a tempestade com raios.  Depois, com a melhora do tempo, quando começou a anoitecer, conseguiram avistar as luzes da cidade, na Praia de Ipanema e, sem expectativa de achar o barco naquele momento, decidiram nadar. Ficaram no mar por uma hora e meia até que um barco os avistou e deu os levou até a praia.

"A ideia era pescar numa laje próxima à Ilha Cagarras, estava ventando, mas o tempo tranquilo. Quando fomos voltar para o nosso barco, o mar estava balançando e não achamos. Subimos na laje e começou a cair uma tempestade forte, vento apertou, raios e trovões bizarros, que parecia até cena de filme. A gente em cima de uma pedra, tentando avistar o barco e os raios atrás. Cena tenebrosa", relatou Caio. 

"Ficamos num lugar mais abrigado, onde não batia onda, e quando a chuva passou, já quase escuro, já dava para ver as luzes de Ipanema e decidimos nadar. Era uma distância de uns quatro quilômetros e conheço a minha capacidade, o Nuno também é surfista e pescador casca-grossa e o Arthur oceanógrafo. Todos estavam na disposição e sabíamos que conseguiríamos", continuou.

Apesar das dificuldades que enfrentou, o surfista ressaltou que eles mantiveram a calma na adversidade e não se assustaram. "Em momento algum deu pânico, ninguém surtou. Sabíamos que esse tipo de sentimento ou atitude não levaria a gente a lugar algum, então fomos cantando, falando, mas sempre bem ligados, para tomar a decisão certa", explicou.

No final, a sensação foi de alívio. "Deu tudo muito certo. Claro que várias coisas poderiam ter acontecido e ter complicado muito a nossa situação, mas acredito muito em energia. Caíram vários raios em cima da gente e não aconteceu nada. Chegamos bem. Ficamos felizes da vida em chegar bem, uma sensação de alívio muito grande. História para contar".

 

Tudo o que sabemos sobre:
Caio VazWSL [Liga Mundial de Surfe]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.