Surpreenda-nos, Brasil! Surpreenda-os, Brasil!

A primeira rodada desta Copa foi a de mais gols desde 1958. Devemos isso ao futebol espanhol (Barcelona e seleção), que revolucionou o modo de jogar moderno. Até então, não se discutia que a melhor maneira de marcar o adversário era se compactando atrás, deixando menos espaço para o contrário, e, ao mesmo tempo, ao recuperar a bola, se tinha mais espaço para sair para o ataque com velocidade.

Raí, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2014 | 02h02

Na nova ordem mundial, pós-Guardiola e Del Bosque, o grande desafio é ter mais posse de bola e ditar o ritmo da partida. E, para isso, tão importante quanto ter jogadores técnicos é marcar pressão no campo do adversário e recuperar rápido a pelota. Como até a Argélia fez contra a Bélgica. Assim, as equipes se tornaram mais ofensivas, tornando o jogo muito mais franco.

Mas, quando se retoma a bola no campo do adversário, ele ainda não saiu inteiramente para o ataque, há menos espaço; então, é preciso haver muito mais movimentação e, sobretudo, variações com jogadores que chegam de trás para surpreender. Como fazem Iniesta, Pedro e até Busquets, no Barcelona. (E quando um homem chega de trás, ele vem com velocidade e encara um defensor que está parado.)

O Brasil, além de não fazer essa pressão - precisa-se de muita sincronia e treinamento -, é o único time que todos os adversários temem esperar em seu campo, não querem correr nenhum risco, congestionando os espaços.

Aí é que se mostram indispensáveis, além da paciência, as surpresas. E aqui coloco duas soluções possíveis e, ao meu modo de ver, necessárias. A primeira é tática: sacrificar o centroavante, Fred, colocando Willian. Fazendo essa opção, naturalmente já se colocará uma dúvida na cabeça dos defensores contrários. Será que eu fico e espero chegar alguém ou saio pra marcar mais à frente? Willian, que terminou a temporada em ótima fase, é muito versátil e criaria, obrigatoriamente, uma movimentação interessante junto com Neymar, Hulk e Oscar. Além de ser mais uma opção de criação e de homem-surpresa, podendo aparecer na área.

A segunda é técnica. Pelos motivos citados acima, a função do Paulinho se transformou em um posto-chave! Não sou contra apostar nele, para que faça o que em outros momentos já provou que sabe fazer. Mas não se tem mais muito tempo para apostas: se ele não estiver bem, tem-se de agir rápido. E há duas boas opções, Fernandinho e Ramires, que têm o mesmo poder de fogo do titular. Hernanes, apesar de muito mais técnico, tem menos força física e menos poder de marcação. O segundo volante pode ser o homem que vai fazer a diferença para definir o futuro campeão, como estão fazendo Matuidi, na França, e Khedira, na Alemanha.

Precisamos surpreender os rivais não só com a genialidade de Neymar, e, com a opção tática de jogar sem um 9, multiplicaríamos chances. Independentemente de como o Brasil vem jogando até agora, mais uma vez temos de tirar o chapéu para o Felipão: o Luiz Gustavo está jogando muito bem! Perfeito. Descoberta e aposta 100% do Felipão.

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