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Suspenso pelo COI, presidente da Bielo-Rússia ameaça ir aos tribunais

Entidade suspendeu Alexander Lukashenko em resposta à "discriminação política" que atinge os atletas do país europeu

Redação, Estadao Conteudo

08 de dezembro de 2020 | 12h24

O presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, rejeitou nesta terça-feira a suspensão que lhe foi imposta pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), no dia anterior, sob a acusação de "discriminação política" e ameaçou ir aos tribunais. "Vamos para o tribunal. Que (Thomas) Bach (presidente do COI) e a sua 'gangue' digam do que sou culpado, por defender o meu país", comentou o político em declarações divulgadas pela agência oficial Belta.

Na última segunda-feira, o COI suspendeu Lukashenko "de todas as manifestações e atividades do COI, incluindo os Jogos Olímpicos", em resposta à "discriminação política" que atinge os atletas do país europeu.

A posição, anunciada por Thomas Bach após a reunião do Comitê Executivo da instituição, responde aos múltiplos alertas de esportistas bielo-russos desde outubro, que se dizem perseguidos pelas suas posições políticas divergentes. Para o COI, "a direção atual do Comitê Nacional Olímpico" da Bielo-Rrússia, presidida pelo próprio Lukashenko, "não protegeu de forma apropriada os atletas contra essa discriminação política".


Ficam suspensos provisoriamente os membros atualmente eleitos do Comitê Olímpico da Bielo-Rússia até que uma nova comissão executiva seja eleita em fevereiro de 2021. O principal sancionado é Lukashenko, mas a medida também atinge o filho, Viktor, que é vice-presidente, entre outros.

O COI suspendeu também as transferências de fundos, com exceção dos pagamentos ligados à preparação dos atletas para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, adiados para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus, e de Pequim-2022 (inverno), com as bolsas a serem pagas diretamente aos atletas.

Por outro lado, o COI vai pedir às federações internacionais que assegurem que todos os atletas bielo-russos possam participar das provas de qualificação olímpica, "sem discriminação política".

Em setembro, a jogadora de basquete Yelena Leuchanka foi condenada a 15 dias de prisão por ter participado de manifestações contra Lukashenko e, em agosto, mais de 300 atletas de elite, incluindo medalhistas olímpicos, assinaram uma carta aberta denunciando a fraude eleitoral no país.

Nesta terça-feira, ao rejeitar a suspensão, Lukashenko criticou também o fato de o COI estender as medidas ao seu filho, considerando-as "injustas" e disse não participar há mais de 25 anos de eventos olímpicos. No entanto, ele esteve nas cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Nagano, no Japão, em 1998, e de Sochi, na Rússia, em 2014, e da Olimpíada de Pequim, na China, em 2008.

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