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Suzuka de 11 títulos

Suzuka é um circuito tão técnico que, na preferência dos pilotos, só perde para Spa-Francorchamps. Portanto é merecido o privilégio de ser o autódromo que mais assistiu a decisões de títulos. Foram onze vezes em 24 disputas, sendo que o Japão vivenciou este momento outras duas vezes - em 1995 no circuito de Aida, onde aconteceram duas edições do GP do Pacífico e em 1976 na pista de Monte Fuji, um final de campeonato que é mostrado no filme Rush. Suzuka até pode ver mais uma decisão neste fim de semana, mas é muito pouco provável pela combinação de resultados que isso exige - vitória de Vettel e Alonso fora dos oito primeiros. Mesmo com a Ferrari em baixa como está, Alonso conquistou oito pódios no ano, tem apenas um abandono e seu pior resultado é um 8.º lugar no Bahrein.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 02h09

Para o torcedor brasileiro, Suzuka é absolutamente inesquecível pelos três títulos de Ayrton Senna (1988, 1990 e 1991) e um dos três de Nelson Piquet (1987). As outras conquistas que a história registra no circuito japonês são as de Alain Prost (1989), Damon Hill (1996), Mika Hakkinen (1998 e 1999), Michael Schumacher (2000 e 2003) e Sebastian Vettel (2011). Interlagos é o segundo autódromo do mundo em decisões de campeonato - seis vezes. As semelhanças de Suzuka com Spa-Francorchamps são muitas. Em três trechos do circuito os carros superam os 300 km/h, sendo que na curva mais veloz, chamada 130-R, assim como na famosa Eau Rouge da pista belga, a velocidade alcança 310 km/h e a força lateral que incide sobre os carros é equivalente a 5G (para usar como referência o que normalmente se costuma chamar de Força G, mas que, na verdade, é aceleração e não força).

Suzuka, Spa e Monza são as pistas mais velozes do campeonato. Só que por não ter as retas longas de Spa em Monza, Suzuka exige alto nível de pressão aerodinâmica. Os pilotos passam muito tempo em curva, que é onde se ganha tempo. Um mínimo erro em qualquer dessas curvas compromete a sequência toda. O carro tem que ser neutro para atender com rapidez e precisão as constantes mudanças de direção. E, com isso, os pneus sofrem um desgaste grande. Isso explica a escolha dos dois tipos de compostos mais duros (branco e laranja), como ocorreu este ano em outras seis pistas: Malásia, Bahrein, Espanha, Inglaterra, Bélgica e Itália.

Se Vettel largar na pole, dará um grande passo para conquistar a nona vitória neste Mundial porque, mesmo sendo um circuito essencialmente técnico e com pontos de ultrapassagem, o pole position venceu 75% das corridas de Suzuka nos últimos dez anos. Este alemão sorridente e sempre com cara de que está ali porque é o que ele mais gosta de fazer, aos 26 anos de idade, já está entre os principais nomes da história da F-1. Além de vencer os quatro últimos GPs em sequência, na corrida passada na Coreia ele completou 142 voltas seguidas na liderança. Nas 14 etapas disputadas até agora, liderou 499 voltas. O segundo é Nico Rosberg, com 104 (pouco mais de 20%). E a soma de todos os outros pilotos que já foram líderes em algum momento do atual campeonato dá 387. Além disso, se vencer também no Japão, Vettel passará a fazer parte do seleto quinteto que acumulou cinco vitórias seguidas, ao lado de Jack Brabham, Jim Clark, Nigel Mansell, Michael Schumacher (venceu 7) e Alberto Ascari (venceu 9).

Uma boa briga que permanece aberta é a da Ferrari com a Mercedes pelo vice no Campeonato de Construtores. Com a Red Bull disparada na frente (402 pontos), Ferrari e Mercedes passaram o ano duelando por esta segunda posição. No momento, a equipe italiana tem um ponto a mais que a Mercedes (284 a 283), mas daqui para o final do ano a aposta mais certa é nos alemães. O carro da Ferrari desce enquanto quase todos os outros sobem. A Mercedes é a equipe que mais cresceu este ano. Saiu de quinta colocada em 2012 para lutar pelo vice, já com o dobro de pontos obtidos em toda a temporada passada. Na contramão desse crescimento da parceira alemã, aparece a inglesa McLaren, terceira no ano passado com 378 pontos (22 atrás da Ferrari) para quinta colocada atualmente, com apenas 81 pontos. Enquanto a Mercedes venceu três corridas e fez oito poles em 2013, o melhor resultado da McLaren foi um pobre 5.º lugar de Jenson Button.

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