Swansea arrasa na final dos pequenos

Time do País de Gales goleou o Bradford, da Quarta Divisão, e levou o título da Copa da Liga Inglesa

LONDRES, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h07

O conto de fadas acabou para o Bradford. A trajetória mágica do time da Quarta Divisão rumo à decisão da Copa da Liga Inglesa teve ontem um ponto final tão marcante quanto o resto da campanha. A derrota por 5 a 0 para o Swansea, da Premier League, foi a maior goleada na história da final do torneio e escancarou o enorme abismo técnico existente entre os finalistas.

Antes de o jogo começar parecia absurdo imaginar um placar tão elástico, porque o Bradford construiu a fama de exterminador de gigantes ao eliminar três times da Premier League - Wigan, Arsenal e Aston Villa. Mas bastou a bola rolar para ver que desta vez Davi não teria a menor chance diante de Golias.

O Bradford jogou como um time de Quarta Divisão e o Swansea mostrou por que está na Primeira. A equipe do País de Gales foi segura, dominou, mostrou um elenco afinado, de futebol técnico e que joga à imagem e semelhança do treinador, o dinamarquês Michael Laudrup, um ex-meia de qualidade com passagens de sucesso como jogador por Ajax, Barcelona, Real Madrid e Juventus.

Assustados com o tamanho de Wembley e seu público de 82 mil pessoas, o humilde time do Bradford penava para passar da metade do campo. Quando conseguia colocar a bola no campo do Swansea, era com algum chutão. Os jogadores pareciam nervosos porque nunca tinham jogado com tanta torcida a favor. Cerca de 32 mil torcedores viajaram até Londres, número maior do que os 20 mil de capacidade do estádio do clube. A plateia ficava eufórica apenas ao ver que algum atacante da equipe pressionava os defensores do Swansea. Muito pouco para quem queria levantar uma taça inédita e ir à Liga Europa.

Ficou claro que se não fosse o regulamento da competição o Bradford não teria chegado à final. Por ser da Quarta Divisão, o clube atuou como mandante nos confrontos eliminatórios que, com exceção da semifinal, são realizados em jogo único. Azar do Arsenal, uma das vítimas do alçapão Valley Parade.

Massacre. Para a decisão a ideia do técnico do Bradford, Phil Parkinson, foi montar uma retranca. Mas não funcionou. O Swansea encontrou espaços e fez gol quando quis. Com 16 minutos saiu na frente, ironicamente, em um contra-ataque. O time azarão tentou pressionar a saída de bola adversária e em um misto de empolgação e inocência deixou a defesa desorganizada para Dyer abrir o placar. No fim do primeiro tempo o artilheiro Michu recebeu dentro da área e marcou com um belo toque de pé esquerdo.

Após o intervalo o desespero e talvez o choque de realidade diante da própria impotência pioraram ainda mais a situação para o Bradford, que continuou sem conseguir atacar e passou a falhar muito na defesa. De quebra, o Swansea fez várias tabelas bonitas, com direito a linha de passe dentro da área. E fez mais três gols - um de Dyer e dois de Guzman.

Apesar de ter sido atropelado, o Bradford teve comportamento disciplinar exemplar. Fez apenas três faltas e somente o goleiro levou cartão - Duke foi expulso ao cometer o pênalti que originou o quarto gol.

A goleada recorde na final não impediu o elenco do Bradford de mostrar orgulho pela campanha. "Demos chance e levamos gols que fizeram tudo ficar muito difícil. Foi um dia complicado, mas temos de valorizar nossos jogadores por termos chegado até aqui", afirmou o técnico Parkinson.

Agora resta voltar à dura realidade da Quarta Divisão. Com poucas chances de acesso, pelo menos comemora a boa campanha e o prêmio de R$ 158 mil por ter sido finalista, valor quase sete vezes superior ao que foi investido para montar o bravo elenco.

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