Taça da discórdia é tricolor. Por enquanto

CBF anuncia São Paulo como 1º penta do País, mas polêmica pode seguir, se Fla encontrar documento que comprove título de 87

Bruno Lousada, Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu ontem a Taça das Bolinhas para o São Paulo. Mas a polêmica ainda não chegou ao fim. O Estado apurou que o caso pode sofrer reviravolta. Isso porque, em reunião da Assembleia Geral do Clube dos 13, realizada em 1997, os presidentes dos clubes assinaram acordo que dividia o título da Copa União de 1987 entre Flamengo e Sport.

Ou seja, se a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, conseguir esse documento oficial, em poder do Clube dos 13, organizadora da Copa União, o Departamento Jurídico da CBF vai reavaliar a situação e pode mandar a taça para a Gávea. Patrícia Amorim já foi avisada da existência dessa ata, que jamais chegou à confederação.

A taça seria entregue em definitivo para quem conquistasse cinco títulos alternados ou três consecutivos do Brasileiro. Ontem à tarde, em assembleia com representantes das federações estaduais, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, anunciou que, após encomendar um estudo ao Departamento Jurídico da entidade, a entidade considera o São Paulo o primeiro pentacampeão brasileiro e, por isso, venceu a disputa com o Flamengo.

O Rubro-Negro se intitula o primeiro a levar cinco títulos nacionais, mas a CBF reiterou que não reconhece o Flamengo vencedor da Copa União de 1987, organizada pelo Clube dos 13. A entidade considera o Sport o campeão nacional daquele ano, até porque a Justiça já decretou o título para os pernambucanos.

Se o Flamengo não conseguir a ata da reunião do Clube dos 13 de 1997, não há jeito: a taça será do São Paulo. Essa medida foi tomada ontem em meio ao embate entre o São Paulo e o Comitê Organizador da Copa de 2014, comandado por Teixeira, em torno da definição do Morumbi como palco da abertura do Mundial.

A taça está guardada há anos numa agência da Caixa Econômica Federal, no Rio, e vai ser restaurada. "Vamos recuperá-la. Ela não deve estar muito bem cuidada, mas ficará novinha", disse Ricardo Teixeira, que chegou a argumentar ontem que o Flamengo chegou ao quinto título brasileiro só no ano passado.

A notícia caiu como um bomba na Gávea. Contrariada com o destino da Taça das Bolinhas, a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, resolveu não externar ontem sua posição sobre o assunto. Fará isso hoje com a cabeça mais fria. Conselheiros rubro-negros consideraram a decisão da CBF uma retaliação ao voto de Patrícia para Fábio Koff na eleição para a presidência do Clube dos 13. A confederação apoiava Kléber Leite, ex-presidente do Flamengo, no pleito realizado na última segunda-feira. Leite foi derrotado por 12 votos a 8.

"A CBF teve 18 anos para decidir o destino da taça. Tomar tal atitude justamente no momento em que os clubes reafirmaram sua independência em relação à entidade tem um só objetivo: nos dividir", reagiu Koff. "São Paulo, Flamengo e Sport continuam unidos, independentemente do destino do troféu."

O São Paulo festejou a decisão com timidez. O clube estuda até dar réplica da taça aos cariocas, agora seus aliados políticos.

Para lembrar

Em 1987, Fla se recusou a tentar unificar título

A Copa União de 1987, organizada pelo Clube dos 13, terminou de forma controversa. O Flamengo conquistou o título do módulo verde da Copa União (equivalente à Primeira Divisão) e o Sport venceu o módulo amarelo (similar à Série B).

O regulamento previa cruzamento entre os dois primeiros colocados de cada torneio, mas Flamengo e Inter (o vice-campeão do módulo verde) se recusaram a disputar o quadrangular com Sport e Guarani.

A CBF declarou o Sport como campeão, decisão confirmada pelo Tribunal Regional Federal, em sentença proferida em maio de 1994. O Flamengo rechaça isso e se considera hexacampeão brasileiro. Mas não terá a taça das bolinhas.

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