Tamega: atrás da onda perdida

O bodyboarder carioca Guilherme Tâmega, de 31 anos, está louco para recuperar o reinado. Seis vezes campeão mundial, foi desbancado em janeiro, ao ser derrotado pelo australiano Damien King na bateria final da última etapa do circuito mundial, em Pipeline, Havaí. Teve de baixar a cabeça e repensar a carreira para seguir lutando pela hegemonia perdida no bodyboard.?Estava um pouco relaxado, aprendi muito com a derrota. Estou treinando bastante para ter o meu título de volta?, disse Guilherme, da Califórnia, onde participa de filmagens para um de seus patrocinadores (Wave Rebel).Em maio, o brasileiro participará da primeira de cinco etapas do circuito mundial 2004, no Taiti. A vontade de ser heptacampeão é tanta que até o local de treinamento ele alterou. Foi no mar das Ilhas Canárias, na Espanha, que encontrou paz e concentração para se preparar. ?Estava cansado do ?crowd? de Pipeline e da rixa entre os surfistas locais e estrangeiros. Prefiro treinar num ?pico? sozinho.?Quando está no Rio, Guilherme treina durante cinco horas diárias ? incluindo mar, musculação e piscina ? e supervisiona a escola Guilherme Tâmega de Bodyboarding, localizada no Posto 5, na praia de Copacabana, e reúne mais de 60 alunos.Com a grande procura dos garotos das favelas Pavão e Pavãozinho, Guilherme deu bolsa para 15 alunos ? a mensalidade custa R$ 70. Pensando nos menores carentes, elaborou o Projeto Ondas do Amanhã e entregou ao prefeito César Maia. ?As crianças dos morros sempre me questionam quando terão a oportunidade de treinar. Em virtude disso, levei ao prefeito o projeto, que abrange quatro morros do Rio: Leme, Cantagalo, Pavão e Pavãozinho?, explica Tâmega.Enquanto espera seu projeto deslanchar, Guilherme também aproveita a sua experiência no esporte para ganhar dinheiro com a marca ?Tâmega?, de acessórios e artigos esportivos.O atleta, que começou a ?dropar ondas de peito? aos 9 anos, não pensa em abandonar a carreira tão cedo. ?Vou deixar a bola rolar até quando sentir que não dá mais. Posso parar de competir, mas de pegar onda, nunca.?Para o futuro, Guilherme pensa em ser empresário e até membro da Confederação Brasileira de Bodyboard.

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