Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Tatiana Weston-Webb passa a defender o Brasil no surfe e sonha com Tóquio

Atleta com cidadania americana escolhe o País natal e promete entrar na luta por vaga na Olimpíada de Tóquio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

30 Abril 2018 | 13h11

A surfista Tatiana Weston-Webb passará a defender as cores do Brasil no Circuito Mundial de Surfe e, quem sabe, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, quando a modalidade vai estrear no programa. Por ter dupla cidadania, ela acabou optando por representar o País, que no feminino possui poucas atletas e alto nível.

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"A definição foi feita pela Federação Internacional de Surf (ISA), após tratativas com a Confederação Brasileira de Surf (CBS), o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e a World Surf League (WSL). Como Tatiana já havia disputado o Campeonato Mundial Junior pelo Havaí, era necessário que a ISA autorizasse a mudança de nacionalidade esportiva para que a surfista passasse a defender o Brasil nas competições mundiais", afirmaram as entidades em um comunicado conjunto.

Tatiana espera agora corresponder às expectativas e garantir uma vaga nos Jogos de Tóquio. "Sempre foi um sonho meu desde a infância competir na Olimpíada. Quando o surfe foi anunciado como um esporte olímpico, eu sabia que meu sonho tinha uma chance de se tornar realidade. O Havaí é a bandeira que eu representei ao longo da minha carreira profissional e amadora. Tenho muito orgulho de onde fui criada e da surfista que me tornei", disse.

A atleta vinha representando o Havaí, que no caso da Olimpíada não é uma nação esportiva como no surfe. "A WSL é a única liga que deixou o Havaí ter a sua própria bandeira, e na Olimpíada não teremos a oportunidade de representar a bandeira havaiana. Então, escolhi representar o País onde nasci. O Brasil possui uma grande parte do meu coração. Eu tenho família, amigos e uma grande quantidade de apoio. É onde eu também me sinto em casa. Estou muito orgulhosa de representar um país tão incrível, que tem muita paixão e dedicação pelo nosso esporte", continuou.

Para Jorge Bichara, diretor de esportes do COB, o projeto olímpico para 2020 está tomando forma. "A entrada da Tatiana Weston-Webb na equipe brasileira nasceu de um encontro de vontades. A atleta revelou o sonho de disputar os Jogos Olímpicos competindo pelo Brasil, da mesma forma que o COB e a CBSurf têm todo o interesse na participação dela no processo de classificação para os Jogos", explicou.

O dirigente reforça a importância do surfe para o COB no projeto da Olimpíada. "Temos dois campeões mundiais no masculino, Gabriel Medina e Adriano de Souza, e excelentes atletas também no feminino, o que nos dá a certeza de uma boa performance nos Jogos de Tóquio, contribuindo para o resultado geral do Time Brasil no evento", contou.

Tatiana é gaúcha de Porto Alegre, mas com apenas dois meses de vida foi com a família para o Havaí e cresceu na ilha de Kauai. A mãe dela, Tanira Guimarães, é brasileira e costuma pegar ondas de bodyboard. Já o pai, Doug Weston-Webb, é um inglês que foi criado nos Estados Unidos e também tem uma paixão pelo surfe.

Ela começou a surfar aos 8 anos, quando ganhou sua primeira prancha, e desde jovem tem obtido sucesso, vencendo etapas e conquistando títulos. A surfista possui uma relação estreita com o Brasil, sempre que pode visita a família na região Sul e consegue se comunicar bem em português. Ela namora o surfista brasileiro Jesse Mendes, que também está na elite mundial.

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