Técnica e raça no clássico paulista

''Aqui a amizade é muito forte''Principal jogador da equipe diz que o segredo do sucesso no Brasileiro é a união e a dedicação dos atletasDaniel Akstein BatistaDiego Souza já passou por várias provações nos quase 20 meses de Palmeiras. Quando foi contratado no ano passado, esperava-se mais dele - afinal, custou R$ 10 milhões à Traffic. Aos poucos, melhorou de produção e, em 2009, é uma das estrelas da equipe. Já marcou gols decisivos no Brasileiro e hoje, com a provável ausência de Cleiton Xavier, vai ter mais responsabilidade nas armações das jogadas. Ele diz que o comprometimento dos atletas é a arma do sucesso alviverde.O que o clássico representa para o futuro do time na competição?Para o Palmeiras, vencer é importantíssimo, pois ganhar de um concorrente direto ao título, na casa do adversário, nos dá mais moral. Mas o campeonato continua se a gente vencer ou perder. Para o São Paulo, o jogo define mais, pois, se perder, vai se distanciar da gente. Mas, se a gente perder, eles vão encostar.Qual jogo contra o São Paulo mais te marcou?Lembro do jogo em que vencemos por 4 a 1, em Ribeirão Preto. Joguei bem, fiz gol... Já uma partida ruim foi a que perdemos por 2 a 1, no Morumbi, na semifinal do Campeonato Paulista do ano passado. Ficamos pressionados, mas depois revertemos.Qual a diferença do Palmeiras do ano passado para 2009?O comprometimento que tem aqui, todos os jogadores com contrato mais longo. Assim se tem mais vontade de vencer, pois todos sabem que vão permanecer aqui. No ano passado, não tinha tanta diferença para alguns jogadores se o time ia perder ou ganhar, pois eles iam sair do clube.O que pode fazer o time não ser o campeão?O campeonato é muito difícil e não dá para falar que o Palmeiras é o grande candidato ao título agora. Acho que daqui a umas seis rodadas vamos ter uma definição melhor. O que pode acontecer (para não conquistar o título) é a gente perder o foco, deixar de pensar que cada jogo é uma decisão, mas isso não está acontecendo. Se a gente tiver de perder os jogos, vai ter de ser pelos méritos do adversário e não pelos nossos erros.O que o Palmeiras tem que outros times não têm?Aqui a amizade é muito forte, verdadeira e não sei se existe isso nos outros clubes. Um olha no olho do outro, ninguém tem vaidade, não quer ser estrela. Ninguém se preocupa se um se veste melhor, se outro tem carro melhor, um só quer ajudar o outro dentro de campo, não importa quem vai fazer o gol.E o que o São Paulo tem que o Palmeiras não tem?Tem jogadores mais experientes, acostumados a decidir, e uma base que está junta há bastante tempo. A gente está conquistando essa união no dia a dia.A seleção brasileira é um sonho real ou distante?Estou numa fase em que tudo está dando certo, mas não sei dizer se está perto, não sei o pensamento do Dunga. Mas gostaria de ganhar uma chance. ''O clássico vai ser um divisor de águas''De volta à boa fase, são-paulino ressalta a importância do clássico de hoje para as pretensões do time na competiçãoGiuliander CarpesRicharlyson deu a volta por cima. Depois de um bom 2007, da chegada à seleção brasileira, 2008 foi um ano de incertezas. Muricy Ramalho se bandeou para o outro lado do muro e deixou um ex-lateral que se encontrou como volante. "Ele foi muito importante para a minha vida", conta o jogador, que virou peça fundamental no time, mas ontem sofreu entorse no tornozelo e ainda é dúvida para a partida. Elogiado por Rogério Ceni e Ricardo Gomes, Ricky se encontrou. O time seguiu seu embalo.O que este clássico representa para o futuro do time na competição?O clássico vai ser um divisor de águas para nós. Uma vitória nos coloca a um ponto do líder Palmeiras. Uma derrota nos deixa a sete pontos, e aí fica muito difícil, porque uma equipe com a regularidade do Palmeiras dificilmente perde três jogos consecutivos. É o jogo do ano. A gente tem que estar não só 100%, mas eu brinco que 120%, 130%. Qual foi o jogo contra o Palmeiras que mais te marcou?Foi um 3 a 1 no Paulista de 2007, no Morumbi. Consegui fazer um gol de fora da área, acho que um dos mais bonitos da minha carreira. Foi um jogo muito importante porque estava voltando de contusão (Richarlyson teve um acidente de carro e ficou quatro meses parado), fora o fato de eu não ter ido para o Palmeiras e aquelas complicações que ocorreram. Qual a diferença do São Paulo do ano passado para o de 2009?O grupo já era bom, coeso, e chegaram algumas peças. O São Paulo apostou em jogadores que haviam sido destaques em seus times. Acredito que é difícil montar um supertime em tão pouco tempo, mas acho que agora tem dado liga. O grupo ficou mais forte. Num campeonato da dificuldade do Brasileiro, um time pode ganhar alguns jogos, mas o elenco é que vai ganhar o título.Quais são as dificuldades que podem fazer o São Paulo não ganhar o título?Acho que a gente pecar por falta de atitude. No começo do ano e até no começo do Campeonato Brasileiro, era isso que fazia com que a gente não jogasse, a falta de confiança. É preciso chamar a responsabilidade.O que o São Paulo tem que falta nos outros times?A estrutura. Lógico que isso não entra em campo, mas a parte extra-campo nos deixa muito tranquilos. Qualquer problema conosco ou com nossos familiares o clube está pronto para atender. A gente se preocupa só com o que acontece em campo. E o Palmeiras tem alguma coisa que os outros times não têm?A mudança de treinador fez muito bem. Não tenho nem o que comentar. É um treinador que me ajudou bastante, não só no São Paulo mas foi importante para minha vida, como ser humano. É um cara que trabalha muito, é perseverante, não desiste até o final e isso contagia os jogadores. E a seleção é um sonho real ou distante?Estou em um bom momento. O que conta para a minha volta à seleção é já ter ido, o Dunga me conhece. Acho que é real. Não seria surpresa, se tivesse outra oportunidade.

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