Técnico admite dívida, mas nega falsificação de garantias

Gestor extraoficial da equipe, José Carlos Monteiro diz que a conta bancária existe, mas [br]não há dinheiro nela

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

José Carlos Monteiro, o Carlinhos, se disse surpreso pela notícia de que estaria sendo investigado na Europa por fornecimento de garantias falsas à União Ciclística Internacional (UCI), que não o procurou. "O que posso garantir é que as contas bancárias existem. Só não tem dinheiro nelas." O técnico revela que nunca teve uma grande quantia depositada mas, mesmo sabendo do fato, a UCI concordou em conceder a credencial Pro-Continental ao time. "O que realmente existiu foi que a UCI exigiu a abertura de uma conta para pagamento das taxas. E, no início, os repasses foram feitos normalmente."

O técnico se considera ter culpa no fechamento da equipe, apesar de recusar o papel de gerente administrativo. Afirma que sempre assumiu muitos papéis no trabalho diário, mas oficialmente era apenas técnico. "Meu maior erro foi ser apaixonado pelo esporte e ter agido com ingenuidade." A "pena", segundo ele, tem sido lidar com um endividamento que tende a se agravar, pois está sem trabalho.

Carlinhos declara que não guarda mágoas da Scott e da Marcondes César, parceiros de muitos anos, mas não esconde que a relação com a atual gestão da secretaria de Esportes da Prefeitura de São José dos Campos, de 13 anos, ficou abalada. O treinador afirma que o acordo no início da temporada era uma participação mínima da Prefeitura, de 20% do orçamento total (R$ 220 mil), valor que poderia a aumentar caso houvesse demora em captar outros patrocinadores.

O técnico conta que, nos três primeiros meses, enquanto a luta por parcerias estava em andamento, a Prefeitura repassou toda a quantia referente aos 20% mínimos de investimento. Depois, parou. "Eles poderiam ter dito antes que não colocariam mais nada, para que a gente pudesse se mudar para outra cidade, mas não foi o que aconteceu." Carlinhos afirma que foram alimentadas esperanças de a Prefeitura liberar mais dinheiro. Os atletas, na expectativa, representaram a cidade em eventos como os Jogos Abertos, e só depois dos títulos souberam que nada mais viria.

Carlinhos acredita que, se a Prefeitura tivesse apoiado o time por mais um tempo, a equipe, suspensa pela UCI em agosto e fechada em setembro, teria sobrevivido o suficiente para captar os patrocinadores necessários. "Há dois anos eles haviam investido praticamente o triplo do que colocaram este ano."

Mas o que o treinador afirma não se conformar é com o fato de, pouco tempo após o fechamento do time, a Prefeitura ter feito contato com vários de seus ex-atletas e os contratado por 40% do salário que ganhavam anteriormente.

"Se a Prefeitura não tinha dinheiro, como é que se oferece para pagar 40% do que ganhavam comigo? Isso sem falar dos patrocinadores que eles captaram, alguns que eu havia iniciado o contato", questiona. "Quando foi feita uma reunião com os atletas para discutir o assunto, fui impedido de participar."

Mesmo com tantos problemas e o sonho desfeito, Carlinhos diz que não vai desistir do ciclismo. No site da equipe, já inexistente, além das notícias antigas, estão palavras bíblicas e uma esperança de ressurreição.

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