Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Técnico de Arthur Zanetti cobra ajuda do Ministério do Esporte, que rebate críticas

Marcos Goto diz que pasta 'não fez nada' e espera a construção de CT da ginástica. Secretário de Alto Rendimento contesta: técnico está 'desinformado'

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2013 | 07h53

SÃO PAULO - Marcos Goto, técnico do ginasta Arthur Zanetti, afirmou que a estrutura à disposição do atleta, campeão mundial das argolas no sábado, melhorou desde que o brasileiro ganhou o ouro olímpico, no ano passado. Mas o treinador fez críticas diretas à atuação do Ministério do Esporte.“A prefeitura (de São Caetano do Sul) nos ajudou, a iniciativa privada também. O que estou esperando é o Ministério do Esporte fazer a parte dele. Até agora, eles não fizeram nada para nós”, afirmou Goto. Ele cobrou a construção de um Centro de Treinamento prometido pela pasta, no início do ano, em parceria com o governo municipal. “Isso (o CT) só está no papel e eu já falei um milhão de vezes: Não adianta o País ter um centro de treinamento no segundo semestre de 2015.  Tem que estar pronto para eu poder trabalhar com o Arthur por um ano. Não dá para ficar esperando a boa vontade política, porque na Olimpíada todo mundo vai cobrar.”

 

Secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser rebateu as críticas. “O Marcos Goto é um excelente técnico, é medalhista olímpico e mundial, mas não tem noção da complexidade dos processos. E está desinformado.” Segundo Leyser, o projeto do Centro de Excelência está em andamento. “Estão sendo feitos os últimos ajustes no orçamento da obra”. A construção está avaliada em R$ 7,8 milhões. Desde fevereiro, informou o titular da secretaria, a prefeitura de São Caetano do Sul indicou o terreno, fez o projeto arquitetônico e de engenharia da instalação, que foi debatida com a Confederação Brasileira de Ginástica. “Quando a CBG deu o OK, fizemos algumas críticas. Isso faz parte do cuidado com o dinheiro público.” Dados os esclarecimentos, diz Leyser, a verba será repassada ao governo municipal. “O ginásio será  novo, com dois andares, e também atenderá a ginástica rítmica. Estará pronto antes da Olimpíada.”

 

Técnico e atleta também cobraram a realização de eventos internacionais no País. O Brasil já recebeu etapas de Copa do Mundo e até uma Superfinal na década passada. Zanetti lembrou com nostalgia das competições, em que Daiane dos Santos e Diego Hypolito tiveram grandes atuações. “Uma Copa do Mundo ajuda muito a ginástica do País e tenho certeza que ia lotar o ginásio. Eu não tinha idade para participar, nem nível técnico, então fiquei só na expectativa”, lamentou o ginasta.

Para Goto, seria imprescindível que os atletas brasileiros competissem em casa, até para trazer o hábito da pressão da torcida nacional. “O País precisa de grandes eventos. Esses atletas vão enfrentar, em 2016, um ginásio com 10 mil pessoas gritando o nome deles. Não sei se vão aguentar a pressão. Depois dizem que o atleta amarela. Mas não é isso. É o País que prepara ele mal.”

 

A presidente da CBG, Luciene Resende, afirmou que gostaria de realizar muitas competições internacionais. “Mas precisamos de verbas para isso”. Ela informou que, no ano que vem, o País terá a terceira edição de um meeting internacional, que não foi realizado em 2013, e que sediará o Campeonato Pan-Americano Juvenil. O Ministério do Esporte diz que seu foco não é investir em eventos, mas que consideraria o apoio caso esteja dentro de uma estratégia de desenvolvimento dos atletas.

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