Técnico de Bubka dá aula em São Paulo

O ucraniano Vitali Petrov, técnico do maior saltador com vara de todos os tempos, Sergey Bubka (recordista mundial desde 1994 com 6,14), tem 250 alunos, 10 professores e 200 varas em seu centro de treinamento, em Donetsk, na Ucrânia. Já o técnico brasileiro Elson Miranda orienta 15 atletas e tem 46 varas de fibra de vidro amontoadas em uma salinha do complexo de atletismo do Ibirapuera. "Cresci na União Soviética, saltei até com vara de bambu", diz Petrov, que não vê na pouca estrutura empecilho para o crescimento da modalidade no Brasil. "É preciso, sim, começar um trabalho sério e com cuidado." Petrov, que tem interesse em difundir sua técnica fora da Europa, está no País graças a uma "vaquinha" organizada por Elson Miranda entre treinadores, atletas do salto com vara, a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e o velocista Claudinei Quirino, que arrecadou US$ 2 mil. "Não sei como consegui convencê-lo", disse o técnico brasileiro, que em agosto foi ao centro de treinamento da Federação Italiana, em Formia - onde Petrov trabalha -, patrocinado pela mãe de Micaela Hoffmannbeck, campeã brasileira sub-17, para aprender com o ucraniano. Aproveitou para acertar os detalhes de uma clínica de 14 dias e 84 horas de treino, que está sendo realizada no Ibirapuera. "Ele vale mais. O técnico do Javier Sotomayor cobra US$ 6 mil", cita, como exemplo. Elson, que ganha dinheiro como personal trainer "para poder treinar atletismo", grava as instruções de Petrov para não perder nenhum detalhe. Pretende editar uma fita de vídeo para que outros brasileiros possam aprender com o ucraniano, técnico desde os 15 anos. "Isso é só o começo." Admite, até, que terá de mudar os treinos que vinha dando a seus atletas. Petrov não descartou a possibilidade de voltar ou de levar alguns saltadores, os melhores, para a Itália. "Estamos com dor no pulso porque passamos a segurar a vara com a mão bem fechada", explicou Fabiana Murer, de 20 anos e atual recordista brasileira (3,91 m). Diz que a clínica é cansativa "para a cabeça" por causa do grande volume de informações. "Não imaginava que um dia treinaria com quem levou Bubka ao topo do mundo. E muito menos que ele é assim: atencioso e brincalhão." Petrov não pára o treino nem para beber água e corrige todos os movimentos de cada atleta. "Em uma semana, ele mudou o que eu pensei a vida inteira", disse o saltador Anderson Salvatori. "Não é preciso ser tão veloz. É como a dança, tem de se soltar, entrar no ritmo, deixar fluir..."

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