Técnico Jesus Morlán coloca a canoagem nacional em outro nível

Espanhol acredita na possibilidade de o Brasil ao pódio no Rio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 17h00

O espanhol Jesus Morlán chegou em abril de 2013 para ser técnico da seleção brasileira de canoagem, e em pouco tempo de trabalho vem colhendo bons frutos. Mas apesar do sucesso no Pan de Toronto, onde a canoagem de velocidade conquistou duas medalhas de ouro, três de prata e quatro de bronze, a ordem é manter os pés no chão.

O treinador cuida apenas das canoas, e imprime um ritmo forte de treinos, tanto que no dia seguinte da volta ao Brasil os medalhistas já estavam remando. “Saio do Pan como vim, não muda nada. Vamos para casa e voltamos a treinar. Não tem meio dia livre, sinto muito.”

Ele diz que o campeão é moldado no dia a dia, com suor e trabalho. “É um estilo verdadeiro. Os alemães não estão tranquilos, estão trabalhando duro. Os russos também. Não acredito em contos ou romances, acredito no cronômetro.”

Fugindo da fama, ele se considera apenas um treinador normal e que trabalha muito. “Aceitei o desafio porque sabia que havia atletas com nível para melhorar no futuro. Não aceitaria uma oferta de trabalho sem atletas por dinheiro nenhum. Não sou um mercenário, sou um trabalhador.”

Ele tem nas mãos Isaquias Queiroz, que conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata no Pan. Para ele, o atleta terá de entender que pode chegar longe e para isso terá de abrir mão de muita diversão. “Ele tem de renunciar a muitas coisas. Não tem a qualidade de vida de um menino de 21 anos. Precisa falar não para muita coisa, mas faz parte.”

Morlán acha que o menino pode chegar longe na canoagem e garante: o projeto é para que o Brasil suba no pódio no próximo ano. “O que justifica tudo é uma medalha olímpica. Se no ciclo antes dos Jogos ganha um monte de coisa e no Rio não ganha a medalha, errou. O Isaquias está entre os cinco melhores do mundo, já foi campeão mundial. Mas é preciso medalha no Rio.”

Ele sabe que terá pouco tempo para preparar uma equipe forte, mas aposta na geração talentosa que vem dando alegrias para o Brasil na modalidade. Por isso, pensa todos os dias em como aprimorar ainda mais seus pupilos. “Eu vim aqui para treinar os meninos a fim de ter o sonho real de conseguirmos uma medalha olímpica. Acho que estamos no grupo de favoritos.”

Tudo o que sabemos sobre:
jogos panamericanosCanoagem

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.