AK BijuRaj/Reuters
AK BijuRaj/Reuters

Técnico espanhol é a chave do sucesso do Catar no handebol

Multicampeão pelo Barcelona e pela seleção espanhola, treinador de 61 anos está no cargo atual desde 2013

Vítor Marques, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2015 | 08h29

A carreira do técnico espanhol Valero Rivera é marcada por vitórias. E também é movida por desafios. E o Catar lhe proporcionou um que vai ao encontro de sua ambição: montar, em apenas dois anos, uma seleção de handebol competitiva num país sem tradição no esporte. Para Rivera, a final do Mundial contra a França vale mais que um titulo. É sobretudo uma conquista pessoal.

Multicampeão pelo Barcelona, atual campeão do mundo pela Espanha, Rivera, 61 anos, foi contratado pela federação de handebol do Catar em 2013. Dois acordos foram estipulados. O treinador receberia um salário de 1 milhão de dólares por ano, segundo a imprensa europeia, e teria total autonomia para montar sua seleção. Entenda-se por isso naturalizar jogadores, trazê-los para atuar no Catar e treiná-los. Fazer da seleção uma equipe.

Rivera aceitou o desafio - e sabia que seria criticado e questionado tão logo o trabalho desse resultado. É correto e justo montar uma seleção internacional, ainda que o regulamento permita? "Eu só falo de handebol", é a resposta padrão que ele deu em todas suas entrevistas no Catar sobre o assunto tabu: a naturalização de atletas.

Tal prática não é novidade no Catar, em Jogos Olímpicos e também no futebol. Em 2013, a seleção de handebol catariana já tinha dois jogadores estrangeiros. Depois de Ribera, vieram mais sete. O que era uma exceção tornou-se regra.

"Eu estou aqui por Rivera. Seria muito difícil jogar no Catar com outro treinador. Ele é uma chave importante no nosso êxito até aqui, no Mundial e nos campeonatos na Ásia", afirmou o cubano naturalizado catariano Rafael Capote, ex-jogador do clube espanhol Naturhouse La Rioja.

A seleção do Catar reúne jogadores de Cuba, Bósnia, Montenegro, Síria, Irã, Egito, Tunísia, Espanha e França. Ao todo, são nove atletas estrangeiros entre os 16 convocados. Dos 16, 15 atuam na liga do catar. A exceção é goleiro Saric, que é bósnio, e atua no Barcelona.

Em dois anos, desde que Rivera assumiu a seleção, o Catar foi campeão dos Jogos Asiáticos e da Copa da Ásia. No Mundial, a campanha até a final é quase perfeita: oito jogos, sete vitórias, uma derrota. "Antes de começar o Mundial disse que poderíamos perder contra todos, mas que poderíamos ganhar de muitos. Levamos meses trabalhando essa equipe. Chegar aqui é um sonho que se transformou em realidade."

HISTÓRICO VENCEDOR

Valero Rivera nasceu em Zaragoza, mas viveu desde criança em Barcelona. No clube catalão, construiu sua carreira como jogador e treinador. Em duas décadas à frente do time de handebol do Barça, de 1983 a 2003, conquistou mais de 50 títulos, incluindo seis Copas da Europa. Foi considerado o melhor treinador de handebol do mundo nos anos 90. 

Em 2008, chegou à seleção espanhola e obteve uma medalha de bronze no Mundial de 2011 e a de ouro em 2013. Se o Catar vencer a França neste domingo ele será o primeiro treinador bicampeão mundial de Handebol. Com a seleção que montou e o apoio da torcida local, tudo é possível.

Tudo o que sabemos sobre:
handebolMundialCatarValero Rivera

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.