Técnico faz trabalho voluntário no comando da seleção de beisebol

Barry Larkin não cobrou nada para dirigir a equipe que se classificou para o World Classic

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2012 | 08h19

SÃO PAULO - O Brasil não era um lugar desconhecido para Barry Larkin, de 48 anos, membro do Hall da Fama do beisebol, muito embora o País não tenha grande representatividade no mundo de sua modalidade. O ex-jogador do Cincinatti Reds, campeão da World Series em 1990, esteve no País por duas vezes para ministrar clínicas da Major League Baseball (MLB). Quando a entidade convidou o time nacional para disputar as Eliminatórias do World Classic (o Mundial da modalidade), não teve dúvidas: ofereceu-se para fazer parte da comissão técnica. Voluntariamente.

"O Larry Barkin ficou admirado com o nosso beisebol e perguntou se poderia fazer algo pelo país", lembra Jorge Otsuka, presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS). "Ele se apresentou voluntariamente para fazer parte da comissão técnica. Eu me assustei, disse que era uma alegria, uma honra, mas que não tinha recursos para pagá-lo. E ele disse que faria isso por amizade."

Barkin esteve no Panamá com a seleção brasileira que conquistou, após três vitórias, a inédita classificação para o Mundial. Como manager principal, liderou a comissão técnica que, há anos, trabalha com o beisebol brasileiro. Em Ibiúna, interior de São Paulo, onde a seleção se reuniu para os treinos, foram apenas seis dias com a equipe, que nem completa estava - quatro jogadores só se juntaram ao grupo no Panamá. "Foram poucos dias, mas a maneira como ele dirigiu a equipe foi espetacular, com a sua maneira de transmitir a filosofia de trabalho."

Barkin afirmou ter ficado impressionado com o talento dos brasileiros. "Uma coisa que gostei muito foi da influência do Japão no beisebol do Brasil. Os jogadores são muito disciplinados e têm muito respeito pelo jogo." Sobre o feito brasileiro, o americano exaltou a união da equipe, que não é formada por estrelas, e um profundo conhecimento da comissão técnica em relação aos atletas. "A maioria dos técnicos trabalharam com esses jogadores quando eles tinham 10, 11, 12 anos. É como se fosse uma família do beisebol. E, por isso, o futuro pode ser brilhante. Acho que algumas estrelas nasceram neste torneio."

O trabalho foi voluntário mas, na opinião de Otsuka, o interesse do americano não foi por acaso. "Ele pretende ser técnico nas Grandes Ligas e ganhou muito com a classificação do Brasil, pois mostrou que pode fazer um bom trabalho." Mas, seja qual for o desejo futuro de Barkin, que também é comentarista da ESPN, ele garantiu que estará com a seleção brasileira em Porto Rico, a partir de março, quando a equipe disputará o Grupo C do World Classic. "Mas acho que perderemos rapidamente o nosso técnico", admite o dirigente.

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