Técnico foi incapaz de cativar a torcida

Com seus altos e baixos na seleção, Mano jamais convenceu os torcedores de que era o técnico ideal para o cargo

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h04

Quando a CBF, depois de ouvir o não de Muricy Ramalho, anunciou a contratação de Mano Menezes para substituir Dunga, logo depois da Copa da África do Sul, pouca gente ficou feliz com a notícia. O currículo do gaúcho, na época treinador do Corinthians, não era exatamente brilhante (um título da Copa do Brasil e um do Paulista eram os mais vistosos de sua coleção), nem ele poderia ser considerado um exemplo de pessoa carismática. Nos dois anos e três meses seguintes, Mano não foi capaz de diminuir a rejeição de boa parte da torcida e da imprensa a seu trabalho - nem mesmo nos bons momentos da seleção sob seu comando. Por isso, pouca gente ficou infeliz com a notícia da demissão do treinador.

Em seu primeiro jogo no comando da seleção, em agosto de 2010, contra os Estados Unidos, Mano escalou apenas dois jogadores que haviam terminado o Mundial como titulares - Robinho e Daniel Alves. Prova de que o técnico havia chegado para fazer uma renovação radical na seleção, já que herdara de Dunga uma terra arrasada. O futebol mostrado pelo Brasil naquela noite foi surpreendentemente bom, com Neymar e Paulo Henrique Ganso comandando uma seleção rápida, técnica e ousada.

Havia motivos para acreditar que Mano, apesar da enorme desconfiança que o rondava, faria o Brasil jogar do jeito que a torcida gosta. Mas não foi o que se viu nos meses seguintes. Aos poucos, o gaúcho foi levando de volta à seleção vários veteranos da Copa de 2010 - ele claramente estava dividido entre o desejo de continuar a renovação e a necessidade de obter bons resultados rapidamente. O resultado dessa confusão foi a pífia campanha brasileira na Copa América do ano passado, na Argentina. O time jamais conseguiu mostrar um futebol de alto nível e acabou eliminado em uma ridícula decisão por pênaltis contra o Paraguai, nas quartas de final. O Brasil errou seus quatro chutes, alguns de forma constrangedora.

O fato de o jogo seguinte ao da eliminação da Copa América ter sido a derrota por 3 a 2 para a Alemanha não ajudou Mano em nada. Quem viu a partida não esquece o baile de bola que o Brasil levou em Stuttgart. Aliás, uma das marcas registradas da passagem de Mano pela seleção foi sua incapacidade de vencer equipes de primeira linha (o Superclássico das Américas não conta).

Altos e baixos. O segundo semestre de 2011 e o primeiro deste ano foram terríveis para o gaúcho. Os muitos que não gostavam dele queriam vê-lo bem longe da seleção e os poucos que o defendiam eram obrigados a admitir que ele estava perdido. As vitórias da seleção no período, quase sempre sobre equipes fracas, mal eram levadas em conta.

As coisas começaram a mudar pouco antes da Olimpíada, quando a seleção sub-23 (reforçada por alguns jogadores mais velhos) começou a mostrar um bom futebol. Como na derrota por 4 a 3 para a Argentina, jogo que o Brasil merecia ter vencido.

Tudo indicava que Mano levaria a seleção a seu primeiro título olímpico, mas a derrota para o México arruinou o sonho. E colocou o técnico de novo na mira dos fuzis da imprensa e da torcida. Muitos juravam que ele cairia naquele momento, mas Mano resistiu. E acabou caindo quando menos esperava, após algumas boas atuações da seleção (como contra a Colômbia) e a sensação de que a base para a Copa das Confederações estava pronta. Ainda assim, pouca gente, quase ninguém, chorará pelo gaúcho.

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