Técnico PC admite: é o jogo de sua vida

O técnico Paulo César de Oliveira, o PC, admite: a partida contra a Rússia, pela semifinal do Mundial, será a mais importante de sua vida. Ao menos enquanto não vier a grande decisão. Com quatro títulos brasileiros, tudo o que ele não quer é sofrer o estigma de não ter sido vencedor na seleção. "A equipe que fica para a história é a campeã", afirma. "A partida de quinta-feira (amanhã) servirá para nos credenciar a isto."A classificação entre as quatro melhores seleções do campeonato não ilude a PC. Ele sabe que seu trabalho só será julgado bom se o time sair com o título. É isto o que ele tenta colocar na cabeça de seus jogadores. "Até hoje nós somos iguais a todas as seleções brasileiras em todos os tempos", explica. "Todas elas chegaram à semifinal. A gente não garantiu nada e ainda estamos procurando por esta diferença."PC é conhecido como um técnico metódico. Durante a competição, chegou a ir mais cedo aos locais de treinamento para verificar todos os detalhes. Até agora, tem dado certo. O Brasil é a única equipe que venceu todas as suas partidas.E precisa vencer mais duas, decisivas, para ficar marcada na história. "A gente está se preparando com o maior carinho possível, planejando bem cada jogo", diz. "Se a gente não fizer tudo que precisa ser feito, alguém vai fazer e vai ganhar o campeonato no nosso lugar."O treinador deve focar o trabalho destes últimos dias em dois aspectos primordiais: a preparação psicológica e a defesa. Ontem, contra a Ucrânia, o time tomou três gols por erros individuais e se abateu, arriscando acabar derrotado. "O que me preocupou foi a maneira como a equipe sentiu os erros", analisa PC. "Nós precisamos absorver rapidamente a falha, corrigi-la e seguir adiante."DE 1.ª CLASSE OU CHARRETE?Domingo é a final em que o treinador quer estar com a seleção. PC não se atreve a fazer planos para depois deste Mundial. Sabe que um resultado negativo pode abalar sua carreira, enquanto um título deve garantir motivação extra. Mas dá pistas de que seu ciclo à frente do Brasil está perto de terminar. "Foi um trabalho extremamente desgastante", avalia o técnico. "Ser treinador é um trabalho solitário. Abre-se mão de muitas coisas, inclusive do contato com a família. Então, não pensei ainda se sigo com a seleção", afirma. "Sei que, se for campeão, posso voltar para casa de primeira classe, consagrado. Agora, se perder, vou ter de voltar de charrete para o Rio Grande do Sul."

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