Técnico torce para que Maurren não desista

O técnico Nélio Moura não tem resposta para a pergunta mais comum que lhe é feita atualmente. A saltadora Maurren Higa Maggi, principal estrela do atletismo brasileiro e que está suspensa por resultado positivo em antidoping, voltará a competir? O treinador não tem a resposta, apenas a esperança de ver o talento de Maurren de volta às pistas. Desde 10 de julho, quando soube do caso, a atleta nunca mais treinou com regularidade. "Maurren teve todo o apoio de que precisava e agora terá de fazer as próprias escolhas. Espero que entenda que não está na hora de parar", afirmou Nélio Moura.Em outubro, Maurren, de 26 anos, ainda não se sentia pronta para voltar e não se reapresentou para os treinos com o restante dos atletas. Chegou a aparecer na pista do Ibirapuera, por três dias, em novembro, quando esteve em São Paulo para um fórum que seu clube, a BM&F Atletismo, fez para seus atletas.Na época, Maurren levou para São Carlos, onde vivem os pais, treinos "como lição de casa" para duas semanas. "Ela ligou contando que sentira dores e tinha feito o programa em três semanas. Pediu outro e eu mandei", contou o treinador.Nélio foi surpreendido, nesta sexta-feira, ao ler declarações, em um jornal, do pai da atleta, William, de que Maurren não está treinando. "Para mim, ela disse que está fazendo algumas coisas", revleou.O treinador, por enquanto, espera pela decisão da atleta. "Acho que ela precisa resolver sua situação pessoal, que, provavelmente, não envolve apenas o doping", disse Nélio, que se recusa a comentar a vida particular de Maurren e se o relacionamento com o piloto Antônio Pizzonia estaria interferindo nas suas decisões.São freqüentes os comentários de que o casal parece ter períodos conturbados no relacionamento - durante a temporada, várias vezes Maurren foi vista falando ao telefone por horas com o namorado ou chorando. Teve atitudes estranhas, como perder um vôo para um torneio na Martinica ou chorar durante quase todo o vôo para o Mundial Indoor, na Inglaterra.Apesar de estar com o salário suspenso - por cláusula do contrato com a BM&F Atletismo -, Maurren tem apoio do clube, que paga o advogado que a defenderá no Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Atletismo, dia 19. Pela regra da IAAF, Maurren, que teve resultado positivo para o esteróide anabolizante clostebol, não será considerada inocente. Nélio torce para que fique provado que o doping foi causado por uma pomada cicatrizante, usada após sessão de depilação a laser. "Espero que seja demonstrado que não houve intenção. E que isso seja atenuante para uma significativa redução da pena."

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