Wilton Júnior/AE - 17/3/2011
Wilton Júnior/AE - 17/3/2011

Técnicos da FGV vão monitorar as obras

Contrato do Ministério do Esporte com a Fundação prevê que cada Estado terá um escritório. Serão instalados até junho

RAFAEL MORAES MOURA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

BRASÍLIA - O governo federal contará com técnicos contratados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para acompanhar de perto o andamento das obras nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. O primeiro escritório será aberto no começo de maio no Distrito Federal. O objetivo é fazer com que os grupos recebam com maior rapidez as informações sobre o cumprimento dos cronogramas e emitam "alertas de risco" para o Ministério do Esporte.

Entre cinco e oito técnicos vão trabalhar em cada um dos escritórios, seguindo modelo adotado no Mundial de 2010, na África do Sul. Com a medida, definida em contrato assinado pelo Ministério do Esporte com a FGV no ano passado, o governo pretende fazer com que as cidades-sede avancem no cumprimento das metas - mensalmente, elas já elaboram um relatório sobre as obras. Os 12 escritórios devem estar funcionando até junho.

Nesta terça-feira, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), João Alberto Viol, reforçou o tom de alarmismo com os preparativos, confirmando o cenário de marasmo apresentado nos últimos dias por estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

"Estamos a 38 meses da Copa do Mundo e a 26 meses da Copa das Confederações. Há tempo, mas é escasso. Os cronogramas estão sem as gorduras, riscos podem existir, desde períodos chuvosos, greves operárias e problemas com licenças ambientais", disse Viol. "Já se passaram 41 meses desde que o Brasil foi homologado (como sede) e estamos atrasados pelo menos um ano."

Segundo ele, a primeira postura dos organizadores deveria ser reconhecer o atraso e ajustar os cronogramas, "uma vez que não há folgas frente a imprevistos e obstáculos". Para o presidente do Sinaenco, também é preciso identificar os riscos que podem atrasar ainda mais os trabalhos e superar as pendências o quanto antes. "Temos de trabalhar para que o Brasil seja vitrine, não vidraça", comentou.

Na semana passada, estudo do Ipea informou que, dos 13 aeroportos brasileiros que receberão investimentos para modernização e aumento de capacidade, nove não ficarão prontos a tempo da Copa. Anteontem, o TCU trouxe à tona mais uma vez os atrasos nas áreas de aeroportos, mobilidade urbana e estádios.

Segundo o órgão, dos R$ 3,6 bilhões previstos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as novas arenas, foram liberados até agora apenas R$ 6 milhões.

A demora para a conclusão das obras, observou Viol, pode levar à piora da qualidade dos projetos. "O sinal está amarelo", disse. "Os estádios são menos preocupantes, dos 12, dez estão em obras, há teoricamente tempo para que sejam concluídos. Agora, os aeroportos já estão hoje superados em relação à demanda."

Para José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco em São Paulo, enquanto outros países sofrem desastres naturais e enfrentam situações complicadas em regime de urgência, o Brasil cria as suas próprias emergências por falta de planejamento. "Estamos no segundo tempo do jogo", afirmou Bernasconi.

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