Teimosia de Tite dá vitória ao Corinthians

Técnico é chamado de burro por manter Danilo, mas meia faz o gol do triunfo sobre Coritiba, na estreia da camisa grená

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

Dificilmente um técnico ganha queda de braço com a torcida. Ainda mais quando ela está irritada com cor de camisa - ontem o Corinthians inaugurou o terceiro uniforme, grená -, que nem de longe lembra o tradicional preto e branco. "Desobedecer" as ordens das arquibancadas normalmente custa seu emprego. Mas há o dia do "burro com sorte." E a teimosia de Tite foi beneficiada, na vitória por 2 a 1 sobre o Coritiba, em Araraquara.

No primeiro dos quatro confrontos diante de campeões - ainda encara Flamengo, Fluminense e Santos em sequência -, o treinador bancou a presença do meia Danilo até o fim e deu sorte. O camisa 10 anotou o gol da segunda vitória da equipe.

Escolhido para substituir Ramírez, convocado para defender a seleção peruana, Danilo sabia que essa era uma das suas últimas chances no Alvinegro.

Ciente disso, começou a todo vapor, correndo como nunca, algo pouco comum em sua carreira. Até carrinho Danilo deu, mostrando a garra necessária para quem veste a camisa corintiano.

Técnico, contudo, também fez valer seu toque de bola refinado e sua visão de jogo. Num cruzamento para a área de Danilo, logo aos 4 minutos, Paulinho tabelou com Willian e chutou sem chances para Vanderlei: 1 a 0.

A primeira etapa teve repleto domínio corintiano. Mas poucas finalizações, é bem verdade. Danilo parecia disputar final de Copa do Mundo, tamanha a disposição. Até drible por entre as pernas ele deu antes do intervalo.

Paulinho, o autor do gol, ainda sofreu um pênalti, não anotado pelo mineiro Ricardo Marques.

Só com reservas, pensando na final da Copa do Brasil, o Coritiba sofria com a falta de entrosamento e quase não ameaçava.

Após o descanso, no qual os corintianos eram unânimes em dizer que o time tinha de voltar com tudo para ampliar a vantagem e evitar sufoco, a história da então fácil partida mudou.

Bronca com Tite. A fase final começou com uma perda enorme ao Corinthians. Alessandro sentiu lesão no adutor da coxa. Não havia reserva para a posição e Moradei acabou entrando.

Sem seu ala que mais parece um ponta, o Alvinegro viu os rivais, pouco a pouco optando pela entrada dos titulares, crescer.

Tite, então, resolver modificar. Jorge Henrique, convocado em coro pelos torcedores, foi chamado. Na hora de o técnico consagrar-se, a placa com o número de que iria sair estragou tudo: o escolhido foi Willian.

Naquele momento, o torcedor já perdia a paciência com Danilo, um pouco cansado, e não perdoou Tite: "burro, burro."

O comandante, que na véspera pediu silêncio aos torcedores que vaiaram Júlio César no treino, também em Araraquara, manteve-se calmo, sereno.

Mas a situação ficou mais dramática aos 28 minutos, com gol de Leonardo, em posição ilegal, igualando o placar, para desespero geral. Tropeçar num time reserva estava fora dos planos.

Tite, então, resolveu colocar o time no ataque. Chamou Edno. Agora sim, tiraria Danilo? Ele optou pela saída de Morais e recebeu enorme vaia. A noite já caia e era dramática para o técnico. Até vir a resposta de Danilo à confiança do chefe. Jorge Henrique cruzou e o meia fez o gol do alívio.

Protesto. Três torcedores invadiram o campo, nos minutos finais do jogo, para protestar com a cor da nova camisa, grená.

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