Teixeira atiça briga e depois se esquiva

Presidente do Santos provoca rivais e, no vestiário, fala que não fez nada

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2009 | 00h00

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, estava descontrolado após ver o Santos perder para o Corinthians, no Pacaembu. Das tribunas, começou a atirar objetos, como copos de água, nos torcedores rivais, que estavam nas numeradas e o xingavam. E ameaçou: "Vocês terão de jogar na Vila Belmiro", afirmou, ao lado de um de seus irmãos e de muitos seguranças santistas. Ele sequer se importou de estar sendo observado pelos jornalistas, pois a cabine em que estava fica em cima da tribuna de imprensa.Transtornado, ainda tentou quebrar as vidraças do local e batia no braço, mostrando ter raça. Depois do tumulto, mais calmo, tentou negar o que todos viram. "Eu não fiz nada, pode ser que alguém ali dos nossos tenha devolvido um copo."Nas arquibancadas, os corintianos provocaram os santistas durante todo o jogo. Duas faixas no estádio lembravam a goleada por 7 a 1 em 2005 e, após a vitória, o pessoal do tobogã - e também das numeradas - começou a tirar sarro, dizendo que o Santos estava eliminado. Revoltados, os santistas atiraram quatro bombas nas numeradas e, depois, partiram para a briga contra a PM. "Os brigões têm de ser identificados e presos. Quem bateu na polícia tem de pagar", disse o promotor Paulo Castilho, que estuda propor clássico com uma torcida só. Nove torcedores foram presos.Teixeira e seu vice, Norberto Moreira, estavam indignados com o tratamento recebido no Pacaembu. A bronca era por causa da carga reduzida de ingressos, medida tomada pelo Ministério Público. "O clássico já começou com medidas e ações desastrosas. Recebi a visita do procurador Paulo Castilho no meu reservado. A partir de amanhã (hoje), as medidas que o Corinthians adotou serão utilizadas mais vezes", afirmou o dirigente santista."Quero dizer às autoridades que não basta limitar a 5% os ingressos da torcida visitante. Temos de agir. Tivemos cenas lamentáveis, não por causa da torcida do Santos, que ficou encurralada e apanhando da Polícia Militar. Eles foram provocados pela torcida do Corinthians. Isso me revoltou", prosseguiu em seu raciocínio o presidente. "Se a torcida do Santos estivesse isolada no tobogã, o problema seria menor. Mas não, quiseram ver cifrões."Norberto fez coro. E novamente prometeu troco, acirrando. "O Santos vai dar recíproca aos jogos de acordo com a lei. Se a lei disser que é para dar um ingresso para o Corinthians, o Corinthians vai receber um ingresso só", disse.

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