Teixeira e Blatter trocam ameaças

Expectativa é de que o presidente da Fifa mostre hoje documentos contra o brasileiro, que deve responder no mesmo tom

JAMIL CHADE / GENEBRA, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h04

O futuro do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na Fifa deve ser definido hoje. Em meio a preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, as principais organizações esportivas intensificam a ofensiva contra Teixeira e seu ex-sogro, João Havelange, numa iniciativa que começa a colocar fim a mais de três décadas de influência brasileira na direção do esporte mundial. A decisão de Havelange de renunciar a seu cargo no COI para evitar punições em relação a um escândalo de corrupção não encerra o drama dos cartolas brasileiros.

Ontem, o COI confirmou a notícia de que Havelange havia renunciado diante de suspeitas de corrupção. O Estado foi informado que, hoje, será a vez de a Fifa se pronunciar em relação ao esquema de pagamento de propinas que, além de Havelange, envolveria diretamente Teixeira.

Ambos estão ligados a um caso já encerrado na Justiça suíça que apontava o pagamento de propinas a ambos pela empresa ISL. Teixeira e Havelange devolveram o dinheiro e o caso foi encerrado no Tribunal de Zug. Como parte de um acordo, os nomes dos envolvidos foi mantido em sigilo.

Mas, por conta de uma informação divulgada pela rede britânica BBC, o COI optou por iniciar sua própria investigação. Na quinta-feira, o comitê de ética da entidade chegaria à conclusão de que as propinas recebidas por Havelange teriam de ser punidas. Com 95 anos e considerado um dos cartolas mais poderosos do mundo, Havelange optou por pedir sua renúncia e, assim, encerrar o caso.

Campanha. Se sua manobra o salvou de uma condenação pública, não colocou fim à crise. Na Fifa, a ideia é dar mais um golpe hoje. Na tentativa de derrubar Teixeira e evitar que o brasileiro concorra à presidência em 2015, o presidente Joseph Blatter decidiu que chegou o momento de tornar público os nomes no processo da corte suíça.

A data original estava estabelecida para o dia 17 de dezembro. Mas a equipe de advogados da Fifa trabalha para antecipar a publicação e já alertou que irá tomar medidas para "sancionar membros da Fifa que sejam culpados".

O único obstáculo seria a retaliação que sofreria. Blatter tem sido alertado por aliados de Teixeira e de Havelange de que provas sobre o envolvimento do suíço nos esquemas de propina também serão reveladas se Blatter publicar toda a informação sobre os brasileiros. A Fifa sabe desse risco e, ontem, num comunicado de imprensa, deixou aberta a porta a uma eventual mudança completa no jogo, indicando que o "processo legal é muito complexo".

O que surpreende aliados dos brasileiros é que, para se desfazer de Teixeira, Blatter estaria pronto para sacrificar até mesmo Havelange, seu ex-chefe e a pessoa que o levou ao posto de secretário-geral da Fifa e, agora, a presidente. Ontem, questionado se Havelange também deixaria o posto de presidente de honra da Fifa, a entidade afirmou que não iria fazer "especulação".

Num claro sinal de que tentará aproveitar a crise, a Fifa tomou a iniciativa de confirmar publicamente, ontem, a renúncia de Havelange, antes mesmo do COI. "A Fifa toma nota da renúncia de João Havelange do COI e do fato de que a entidade encerrou o caso (contra o brasileiro)".

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