Ayrton Vignola/AE - 21/7/2010
Ayrton Vignola/AE - 21/7/2010

Teixeira elogia pontos corridos e afasta possibilidade de mudança

Presidente da CBF diz que fórmula está consagrada e discussão da entrega de jogo pode ocorrer também no mata-mata. Retorno financeiro é maior argumento

Bruno Lousada, Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2010 | 00h00

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, negou com veemência a possibilidade de o principal campeonato do País voltar a ser disputado no sistema de mata-mata. Para ele, o Brasileiro de 2010, encerrado no domingo, foi "um sucesso" e mais uma vez consagrou o modelo de pontos corridos. "Essa discussão (de mudança) não existe para a CBF. Não vamos perder tempo com isso."

Ele contou que a entidade já admitiu desde o ano passado programar clássicos regionais para as últimas rodadas da competição - o que poderia motivar um clube já sem objetivo na competição, por causa da rivalidade -, mas disse não acreditar que a medida teria alguma influência na classificação. "O campeonato com pontos corridos vem evoluindo desde 2003. Chegou para ficar, e ficou."

De acordo com Ricardo Teixeira, a eventual falta de empenho de um clube na reta final do Brasileiro é uma realidade que ocorreria também nos jogos que antecederiam a formação do bloco dos oito melhores colocados para os confrontos diretos - quartas de final, semifinais e a decisão - como estabelecia o regulamento do Brasileiro antes de 2003. "O problema se repetiria na fase classificatória. Haveria jogos importantes para alguns clubes e sem nenhuma pretensão para outros."

O dirigente se disse convicto de que os clubes, em sua maioria, aprovam o atual modelo de disputa. O argumento mais forte, segundo Teixeira, é o que diz respeito ao retorno financeiro. "A venda da transmissão de jogos pelo sistema pay-per-view depois de 2003 é algo fantástico, a receita dos clubes com a venda de camisa também aumentou muito", declarou.

Teixeira afirmou que o faturamento anual de vários clubes da elite do futebol brasileiro - não quis citar nomes - pulou em sete anos de US$ 10 milhões para aproximadamente US$ 100 milhões. Em sua avaliação, isso se deve em grande parte ao sucesso do Campeonato Brasileiro. "Todo ano vem alguém dizer que não está funcionando bem assim, coisa e tal. Os números mostram o contrário."

Média de público. Durante exposição sobre o andamento das obras nos estádios da Copa do Mundo de 2014, na sede do comitê organizador do evento, no Rio, Teixeira citou ainda a média de público nos jogos das últimas edições do Brasileiro para reforçar sua convicção. "Tivemos uma queda neste ano e vai ser assim nos próximos três anos por causa das obras em grandes estádios do País."

Ao elogiar o Fluminense pelo título do Brasileiro, Teixeira disse o que muitos tricolores pensam: se o jogo final, contra o Guarani, fosse realizado no Maracanã, o público seria superior a 100 mil pessoas. "Em tantas outras partidas no Rio e em Minas, por exemplo, se estivessem liberados o Maracanã e o Mineirão, em vez do Engenhão e da Arena do Jacaré, a presença da torcida seria multiplicada."

Na noite de segunda-feira, Teixeira foi hostilizado por alguns torcedores do Fluminense quando fez o discurso de abertura da festa de encerramento do Campeonato Brasileiro, no Teatro Municipal do Rio. As reclamações se referiam ao fechamento do Maracanã, no início de setembro, o que ocorreu para que fossem iniciadas as obras de reforma do estádio. Ontem, o dirigente explicou que a decisão não podia ser adiada, a fim de não comprometer o cronograma previsto para a adequação do Maracanã às exigências da Fifa.

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