Teixeira vence GP de Hipismo no Rio

A experiência foi o trunfo do cavaleiro Vítor Alves Teixeira, de 45 anos, para vencer, com o cavalo Cactus, o XXIII Grande Prêmio Internacional de Hipismo Cidade do Rio de Janeiro, neste domingo, na Sociedade Hípica Brasileira. O alto grau de dificuldade do circuito, com obstáculos de 1,50m de altura, eliminou vários favoritos. Além do campeão, somente o jovem Flávio Abreu Bernardes, de 22 anos, com o cavalo Pia Nigra, conseguiu zerar o percurso de 15 obstáculos e chegar à final da disputa."Usei toda minha experiência e tranqüilidade. Tive a vantagem de entrar depois do Flávio (Bernardes) e sabia exatamente o que deveria fazer para ganhar", festejou Teixeira. "Vim preparando os cavalos desde quarta-feira e hoje eles estavam no auge." Apesar da alegria pela segunda vitória no GP Internacional (a primeira foi em 90), Teixeira reclamou do descaso com que, segundo ele, dirigentes, patrocinadores e proprietários tratam o hipismo brasileiro.Para o cavaleiro, por tudo que o País já conquistou no esporte, é necessário investir na formação de uma "equipe forte", capaz de conquistar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos.Teixeira conseguiu classificar dois conjuntos para a final do GP Internacional. Além do vencedor Cactus, ele montou Jolly Boy, o segundo colocado, que na última hora foi liberado para competir. De acordo com Teixeira, o cavalo estava com um problema no casco e se recuperou a tempo.Seletiva para a final da Copa do Mundo de 2002, prevista para acontecer entre os dias 1º e 5 de maio, em Leipzig, na Alemanha, a prova Internacional do Rio consolidou Teixeira na liderança da disputa por uma das duas vagas da América do Sul na competição. Das oito provas sul-americanas classificatórias para a Copa, Teixeira já venceu três: Porto Alegre, Belo Horizonte, e Rio de Janeiro."Acho que esta vitória me garantiu pelo menos uma das duas vagas para a final da Copa do Mundo. O Jolly Boy é baixinho e lutador, como o Romário. Na hora de decidir ele sempre aparece", brincou o vencedor, lembrando que com Jolly Boy conquistou as medalhas de bronze individual e ouro por equipe, no Pan-Americano de Winnipeg (1999) e bronze nos Jogos Mundiais Eqüestres de Roma (1998).A surpresa da competição foi a presença de Bernardes, natural de Campinas, na final do GP Internacional. Com a terceira colocação, o jovem cavaleiro deixou para trás adversários consagrados do hipismo brasileiro, como os medalhistas olímpicos Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, campeão da prova no ano passado, e Luiz Felipe Azevedo."Não pretendo viver do hipismo. Faço faculdade de engenharia civil, em São Paulo, e, sempre que dá, treino. Mas estou muito feliz", disse Bernardes, que tem Azevedo como técnico. No desempate, ele cometeu duas faltas e fez o percurso em 41s91, contra nenhuma de Cactus (46s56) e Jolly Boy (48s78).Azevedo foi uma das grandes decepções da competição. Seu cavalo, Salamandra Champmann Rouge, aparentemente sentiu o forte calor do Rio e não conseguiu concluir o percurso inicial. Já a montaria Dayse cometeu duas faltas e ficou fora da final. "Foi uma pena, mas estou contente pelo Flávio (Bernardes)", disse o cavaleiro, que mora em Hodeige, na Bélgica, e há 39 anos pratica o esporte.O chileno Bernardo Naveillan (Chile), montando Marcolab Rexola Z Exono, ficou em quarto ( 1 falta/ 71s23), seguido por Rodrigo Couto Gomes / Bucareste ( 1 - 71s65 ); Cláudia Itajahy / Unibanco Seguros Rodobens Van Gogh (1 - 71s76); Rodrigo Sarmento / Etincellant II Total (1 - 71s87); Bernardo Resende Alves / Ability da Lagoa (1- 73s99); Álvaro Affonso de Miranda Neto / Oliver (1 - 74s02) e Geraldo Gomes Lemos / Victor (1 - 75s29).

Agencia Estado,

07 de outubro de 2001 | 18h08

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