Teixeira viaja e marca o dia da volta

Presidente da CBF embarca para Miami, para passar o carnaval com a família, mas retorna na quinta-feira; enquanto isso, cartolas brigam pelo poder

ALMIR LEITE, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2012 | 03h05

Ricardo Teixeira embarcou ontem para Miami para se juntar à família durante o período de carnaval. Volta na quinta-feira e reassume a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Não pretende licenciar-se do cargo ou renunciar, como se comentou nos últimos dias. Comentários que deram início a uma briga velada pelo comando do futebol brasileiro. Incomodados com a influência de São Paulo, presidentes de federações estaduais colocaram em marcha, nesta semana, uma articulação para barrar a 'tomada de poder' pelo futebol paulista caso Teixeira se afastasse.

O presidente da CBF tem em José Maria Marin, vice-presidente da entidade nacional, e em Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), dois aliados. Até almoçou com eles na quinta-feira, numa churrascaria da zona oeste do Rio, quando notícias dando conta de que iria renunciar pipocavam País afora.

A influência paulista desagrada, e muito, dirigentes dos outros Estados. Isso porque, caso Teixeira se afastasse da CBF, Marin iria assumir a presidência, por ser o vice-presidente mais velho (79 anos). O raciocínio desses cartolas é simples: com Marin no comando, Del Nero, responsável por sua ida para a entidade nacional, ganharia poderes. Sem contar que um paulista, o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, é diretor de seleções da entidade, e que até mesmo a figura mais expoente do COL no momento, o ex-atacante Ronaldo, passou os últimos anos ligados ao futebol paulista.

Esses presidentes chegaram até a combinar um encontro no dia 29, no Rio. Contavam com a hipótese de Teixeira deixar o cargo e pretendiam encontrar uma maneira de evitar que Marin assumisse - a ideia que ganhava força era a da marcação de eleições.

Ricardo Teixeira acompanhou atentamente a movimentação, até para descobrir quem é quem nos momentos de dificuldade. Com sua volta na quinta-feira, e a consequente retomada das atividades na CBF, já não é mais tão certo que o encontro dos cartolas ocorra.

Del Nero é o único presidente de federação que manifestou solidariedade a Teixeira - o presidente da CBF, que também é presidente do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014, recebeu ainda telefonemas de apoio de 8 governadores de Estados que receberão jogos do Mundial. "Disse a ele que pode contar com meu apoio, como sempre'', afirmou Del Nero ao Estado ao ser questionado sobre o encontro com Teixeira.

O presidente da FPF garantiu que no almoço foram tratados assuntos corriqueiros e classificou como "boatos'' as informações sobre um possível afastamento de Teixeira. "Ele me disse que iria viajar, mas para descansar.''

Del Nero está convicto, porém, que se Teixeira vier a deixar a CBF em algum momento, é Marin quem deve assumir. "O Estatuto diz que, se o presidente se licenciar, ele pode indicar um dos cinco vices para substituí-lo. E ele gosta muito do Marin; e diz que, em caso de vacância de poder, assume o vice mais velho.''

A hipótese de se tornar secretário-geral da CBF, num cenário em que Marin assumiria a presidência, é refutada por Del Nero. "Você acha que eu vou sair da presidência da Federação Paulista para ser secretário-geral? Isso não existe'', garantiu. O secretário, porém, pode exercer grande influência sobre o presidente da CBF, principalmente se ele estiver sofrendo grande oposição.

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