''Tem gente boa, mas vou fazer minhas gracinhas''

Aos 36 anos, camisa 10 do Mogi diz que só voltou graças a um pedido do amigo Rivaldo e pelo baixo nível do futebol brasileiro

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

O meia Giovanni brilhou no Santos, Barcelona, Olympiacos e... sumiu. Depois de anos na Europa, planejou se aposentar na Vila Belmiro. Disputou o Campeonato Brasileiro de 2005, mas acabou dispensado por Vanderlei Luxemburgo no início do ano seguinte. Os planos deram errado."(Em 2006) ainda joguei uns meses na Arábia Saudita e, depois, na Grécia. Depois, parei", diz o "ex-desaparecido" Giovanni. Só o pedido de um amigo - no caso, Rivaldo - fez com que o meia, aos 36 anos, deixasse a aposentadoria. Agora, veste a camisa 10 do Mogi Mirim, time do qual o amigo virou presidente e tem como diretores Cléber e César Sampaio.Como foi a proposta do Mogi?Eu já estava aposentado, fazia um ano e meio que não jogava. Mas aí o Rivaldo me ligou. Não pensei muito, foi o tempo de conversar com a minha esposa. Dei a resposta em dois dias. O que você fazia na aposentadoria?Montei um campeonato com os amigos, jogava em campo bom. Por isso, não perdi noção de espaço. A técnica não se perde e, com a idade, as características mudam.Foi difícil voltar ao futebol?Foi um desafio, mas aceitei o convite para não me arrepender, pelo pouco tempo que me resta (de carreira). É sempre um prazer estar em campo. Vou disputar um Paulista, onde todo mundo quer estar. A parte física está em dia?Foi o mais fácil. Eu treinava todos os dias. Minha rotina era ir à musculação, das 8 às 11 horas, e à tarde bater uma bola, de terça, quinta e sábado. Não senti muita diferença.É estranho, para quem já esteve no Barcelona, jogar em uma equipe do interior?Quem quer jogar não vê o status do time. O Mogi tem um excelente estádio, um CT muito bom e, pelo projeto do Rivaldo,vai melhorar.Como é a sua relação com o Rivaldo, com quem jogou no Barcelona e no Olympiacos?É de irmão. O Rivaldo pensa como eu, gosta das mesmas coisas, somos parecidos. Ele será um bom dirigente?Ele é um cara honesto, que vai fazer muito. Mas é preciso ter paciência, assumir um clube não é fácil. Ele está sendo corajoso.Como é ter colegas como chefes?É bom. Tenho liberdade para dar minha opinião, dizer o que sinto. Eles são abertos, não são cheios de marra. Você planeja mudar de lado?Nos próximos dez anos, não. Pode ser que daqui a dez anos, sim (risos). A minha vida é em Belém, com a minha família. Mas quero indicar jogadores, para ajudar, não para ser empresário.Muitos santistas te procuram?Muitos. Pedem para eu voltar. O carinho não diminuiu.Tem mágoas da sua saída? Mágoa, não, mas fiquei triste. Me senti desvalorizado. Queria jogar no Santos por uns três anos, até 2008, e me aposentar. Um plano que não aconteceu.E, em campo, pode fazer algo diferente, como tingir o cabelo de vermelho de novo?Ah não... Isso é coisa de jovem empolgado. Agora eu estou em uma fase mais light, mais de senhor... Senhor no futebol, né? (risos)O que você acha de outros "senhores" estarem em campo?É legal, porque melhora o campeonato, atrai o público e quem não viu esse pessoal jogar, porque era menorzinho, pode ver agora. Acaba valorizando o jogador, como acontece na Europa. Lá tem caras de 38, 40 anos...E isso não era comum aqui...É que agora o nível é mais baixo, por isso que os jogadores mais velhos estão aí. Há 15, 20 anos, um cara de 36, como eu, não teria chance.O futebol mudou muito?Muito. Agora é mais físico do que técnica. Está mais chato, né? Os amigos sempre falavam: "Puxa, volta a jogar..." Os clubes não têm mais um camisa 10, isso se perdeu. Agora só querem força, se enquadrando no que a Europa quer.Você acha que pode ser o melhor camisa 10 do Paulistão?Ah, não sei. Temos gente boa, mas também vou querer fazer minhas gracinhas...

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