''Temos condições e vamos buscar o título''

Empolgado com a arrancada da Roma, Cicinho aposta alto e acha que dá para faturar o ?scudetto?; comedido, Julio Baptista mostra confiança

Fábio Vendrame, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

Julio Baptista e Cicinho, expoentes da legião brasileira da Roma, vivenciam com deleite o renascimento do time no competitivo Campeonato Italiano. Depois de um início de temporada desastroso, a equipe mais popular da capital entrou nos eixos, acertou o passo e já acumula oito vitórias nos últimos dez jogos. Deixou a incômoda zona morta da tabela para ascender aos primeiros postos e vem empolgando a crônica esportiva local.O lateral, entusiasmado, fala em conquistar o título. O meia-atacante, comedido, aposta, no mínimo, na classificação para a Copa dos Campeões, o mais cobiçado torneio interclubes da Europa. Uma coisa é certa: eles voltaram a abrir os jornais e os sites italianos especializados sem receio de dar de cara com a costumeira enxurrada de críticas a que os perdedores são submetidos. A desconfiança deu lugar a comentários elogiosos."Ah, vínhamos sendo muito cobrados pela imprensa e isso refletia no humor da torcida, que estava bastante ruim", conta Cicinho. "Principalmente os novos contratados. Diziam que as apostas tinham sido equivocadas", lembra o lateral. "Não foi fácil, mas hoje todos viram que demos a volta por cima." O elenco da Roma tem conversado bastante a respeito da recuperação do time no campeonato. "Um dos pontos fundamentais foi termos encarado o início ruim de temporada com serenidade. O grupo enfrentou alguns problemas, mas se uniu e teve humildade", afirma o lateral. "Pouco tempo atrás estávamos a mais de 20 pontos dos primeiros colocados. Temos condições e vamos buscar o título. Nosso pensamento é esse."Julio Baptista tem bem claro o momento exato em que a Roma renasceu na competição. "A grande reviravolta começou na vitória sobre a Lazio", diz. O triunfo, por 1 a 0, ocorreu em meados de novembro. "Vencer o clássico romano fez o time ganhar uma grande confiança. E a torcida também passou a nos apoiar. Tudo mudou."Houve outro fator que ajudou na retomada romana. O time esteve desfalcado de oito jogadores considerados titulares e custou ao treinador Luciano Spalletti encontrar uma formação confiável. "A volta de Totti foi importante", destaca Cicinho. "Acredite, vínhamos sendo sistematicamente prejudicados pela arbitragem", relata. "Ele em campo faz bastante diferença, afinal, o Totti é muito respeitado e, como capitão, faz presença com o juiz."Hoje, a equipe visita a Reggina, última colocada na classificação, confiante em manter o embalo. "O fato de termos perdido muitos pontos no começo dificultou nossa vida e, de agora em diante, temos de fazer nossa parte e ainda torcer pelo tropeço de outros times", afirma Julio Baptista, festejado como nunca pela torcida desde o golaço de voleio contra o Torino anotado nos estertores de um jogo complicado, há três rodadas, que terminou com a justa vitória romana pelo placar mínimo.E a rodada ainda reserva à Roma a possibilidade de confirmar sua ascensão no campeonato. Para isso, tem de vencer e contar com um vacilo do Genoa, que recebe hoje o Palermo e, apesar de apresentar campanha consistente na competição, tem apenas um ponto de vantagem sobre os romanos (37 a 36).A boa fase da Roma acalenta também a esperança de Cicinho voltar a vestir a camisa da seleção brasileira. "Sei que o Maicon e o Daniel Alves estão em grande fase, melhor que a minha inclusive, mas se o Dunga chamar... Trabalho duro para isso." De ser chamado para a seleção na era Dunga, Julio Baptista entende. Ele se tornou figura cativa no time canarinho. Das 18 convocações desde a conquista da Copa América, em 2004, na Venezuela, o jogador ficou fora só uma vez. E por contusão.

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