Tempo instável garante emoção da corrida

Pilotos e equipes trabalharam muito nas imprevisíveis 71 voltas de Interlagos com pista molhada e às vezes seca

O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h00

Dias antes da largada do GP do Brasil, tanto Sebastian Vettel quanto Fernando Alonso, os dois candidatos ao título, bem como vários dos colegas, lembravam a impossibilidade de prever o que vai acontecer na corrida de Interlagos. As 71 voltas da prova, ontem, mais uma vez comprovaram que todos tinham razão. "Foi a corrida mais difícil da minha vida", afirmou Jenson Button, da McLaren, o vencedor, como a definiu, também, o tricampeão do mundo, Vettel.

O principal fator que torna a competição de São Paulo emocionante antes ainda de começar é o clima, a sua constante variação. Os primeiros pingos começaram a cair pouco antes da volta de apresentação.

Como segundo a previsão choveria mesmo só mais tarde, todos saíram com pneus para pista seca. Mas na 10.ª volta a chuva se intensificou e quase todos fizeram o primeiro pit stop para passar para os pneus intermediários. Button e Massa apostaram que a chuva pararia e arriscaram permanecer com os pneus lisos. Havia diferenças significativas de desempenho entre os pilotos por causa da escolha dos pneus.

O primeiro impacto nos 69.684 torcedores no autódromo e em cerca de 500 milhões de telespectadores veio logo depois da largada, quando Vettel, favorito ao título, ficou com sua Red Bull atravessada na curva do Lago, podendo ser atingido pelos adversários. Como cruzou a linha de chegada ao final da primeira volta em 22.º e Alonso na segunda volta era o terceiro, parecia que o alemão perderia o título. Aquela combinação favorecia o espanhol. Mas a chuva mascarou os danos na Red Bull do alemão e ele voava na pista.

Como não poderia deixar de ser, o safety car entrou na prova, na 22.ª volta, para a retirada de detritos. Voltaria ainda na 69.ª e penúltima volta por conta da forte batida de Paul Di Resta, Force India, na Reta dos Boxes, o que fez a equipe Red Bull esperar por bem mais tempo do que o normal, na mureta dos boxes, a aproximação de Vettel, em sexto, para celebrar o Mundial.

O número de ultrapassagens foi elevadíssimo. Bem como o de escapadas do asfalto. "Tinha a impressão de estar sempre com os pneus errados para aquelas condições", contou Alonso, para comentar o que a água no asfalto criou para os pilotos.

Numa dessas derrapagens o então líder, o surpreendente Hülkenberg, bateu, no S do Senna, na McLaren de Lewis Hamilton, com quem lutava pela vitória e acabou punido com drive through. Terminaria, ainda, em quinto. Já Hamilton abandonou na sua despedida da McLaren.

Para quem largou em 14.º e recebeu a bandeirada em sétimo, Michael Schumacher despediu-se da F-1 com belo trabalho, em especial porque precisou trocar um pneu furado no começo. "Veja que coincidência: terminei hoje em sétimo, a minha posição de largada na estreia na Fórmula 1, em Spa, há 308 Gps", disse, rindo, o alemão, autor das maiores façanhas da história da competição. / L.O.

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