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Antero Greco
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Tempo quente

Caro amigo, se perguntar qual o jogo mais atraente da rodada de meio de semana do Brasileiro, provavelmente você dirá que se trata de Cruzeiro x Corinthians. Faz sentido. Um lidera o campeonato e está na contagem regressiva para o título. O outro tenta enfiar-se no bloco principal para cavar boquinha na Libertadores. Não deixa de ser uma atração interessante.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2014 | 02h00

Mas a cobra vai fumar em diversos locais, sobretudo no Rio e em Curitiba, em duelos de desesperados, de times com a corda no pescoço. No new Maracanã, tão bem retratado pelo Zanin na crônica de ontem, o Botafogo tenta achar rumo diante do Palmeiras ainda cambaleante. No Couto Pereira, o amedrontado Coritiba recebe o instável Criciúma. Se quiser, pode embaralhar e trocar os adjetivos que ainda assim servirão. Desse quarteto sai algum integrante da Série B de 2015, pra ser otimista.

Botafogo e Palmeiras já decidiram taça nacional. Houve tempo, lá pelo fim dos anos 50 e durante os 60, em que botavam banca diante do Santos de Pelé & Cia. A turma da Estrela Solitária (sempre achei lindo esse epíteto) tinha gente do gabarito de Manga, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Amarildo, Zagallo, só pra citar um punhado. Era tropa de craques e, além de tudo, usava meias cinzas, de time de futebol!

Os palestrinos desfilavam com Djalma Santos, Djalma Dias, Julinho, Servílio, Vavá e um tal de Ademir da Guia. Houve clássicos estrondosos com o Santos - sem favoritismo. Era de igual para igual, duas universidades da bola.

Ok, fechemos parêntesis, guardemos os violinos e retornemos ao presente. Desalentador, para ambos os lados. A dupla fez parceria na Segundona de 2003, por ter caído junta no ano precedente. O Palmeiras gostou tanto da experiência que a repetiu em 2013. Parecem dispostos a dividirem espaço no Acesso também no ano que vem.

As campanhas são desastrosas, repletas de bolas fora. Com uma ligeira, tênue diferença: na reta final, o Botafogo parece mais atordoado e engasgado por problemas financeiros. O Palmeiras ensaia, ainda sem persistência, reação que signifique a salvação da lavoura e fôlego para começar tudo outra vez na próxima temporada. Um ano, o do centenário, desperdiçado.

O Botafogo perambula numa decadência de fazer pena. Atrasos de salários e prêmios se acumulam mais do que terra ressecada no sistema Cantareira. Para complicar, o presidente Maurício Assumpção numa canetada dispensou quatro jogadores - dentre eles, três titulares - na semana passada. Sem maiores explicações, a não ser dificuldades econômicas. Na base da cólera, pela falta de grana e de bons resultados. Só que, dessa maneira, diminuiu as já restritas opções de Vagner Mancini para armar equipe minimamente decente. Azar do técnico, em princípio, e do torcedor, no fim.

O Palmeiras exerce com afinco a parte de quem anda doidinho para cair. Trocou de treinador duas vezes, contratou de baciada - e com qualidade duvidosa -, apanhou de todo mundo. Não é por acaso que frequenta a zona do descenso. O alento veio com os 4 a 2 na Chapecoense, uma semana atrás. Nesta quarta, terá a volta do goleiro Fernando Prass, o que pode representar a solução de um problema medonho.

Quem vencer, não se livra do perigo, mas vai respirar. Derrota equivale a patinhar na areia movediça e aumentar o terror. Tudo para ser clássico explosivo, no início da noite. Chato que, no mesmo horário (19h30), tem o lanterna (Coritiba) contra o antepenúltimo (Criciúma). O Coxa ganhou fôlego com a vitória sobre o Atlético-PR.

Abordei duas partidas, apenas, por reunirem clubes em condições semelhantes. Se preferir, acrescente outras no cardápio. Exemplo? Figueirense x Flamengo. Os catarinenses ressuscitaram, têm 32 pontos e quase se livram da "confusão", como diz Vanderlei Luxemburgo, cujo time, o Fla, tem 31 e volta a flertar com o abismo. Depois dizem que pontos corridos são monótonos...

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