Tempo seco em São Paulo desgasta atletas olímpicos

Jogadoras de basquete feminino sofrem com baixa umidade da cidade

Aline Nunes, O Estadao de S.Paulo

19 de julho de 2008 | 00h00

Faltam 20 dias para a Olimpíada e atletas que ainda treinam em São Paulo tiveram de dar um jeitinho para driblar o tempo seco das últimas semanas, na cidade, e manter o bom ritmo de exercícios. As meninas da seleção feminina de basquete vão diariamente ao Centro Olímpico, no Ibirapuera, e, para não ficarem com garganta seca e nariz congestionado, abusam da água e às vezes de remédios com uso liberado porque não caracterizam doping. Há quase um mês sem chuvas, a Capital viveu nos últimos dias com umidade bem parecida à média registrada no deserto do Saara, que é de 15%. E é no tempo seco que os médicos aconselham evitar a prática de exercícios físicos entre as 10 horas e as 16 horas. Mas, no caso da seleção feminina, prestes a embarcar para Pequim, não resta alternativa a não ser redobrar a atenção com a saúde para não prejudicar os treinos.A pivô Ega, por exemplo, é alérgica desde pequena, e confessa que em todo inverno o seu corpo fica mais suscetível a doenças respiratórias. Para não perder o bom ritmo, recorre a todo tipo de dica que lhe oferecem como prevenção. "Uso toalha umedecida o tempo todo, chega a ser engraçado", admite. "Comprei recentemente um purificador de ar e procuro tomar o dobro de água. Antialérgico, só em último caso. Tenho várias táticas, e mesmo assim é impressionante que entre um arremesso e outro sinto o meu pulmão pegar", lamenta. "Pode acontecer tudo, menos ficar doente em uma época como agora, né?" Já a armadora Natália Burian não pensa duas vezes e recorre aos antialérgicos. "Todos os dias tenho de fazer inalação e tomar três antialérgicos", diz. "Para alguns, a medicação abaixa a resistência, mas no meu caso, se eu ficar um dia sem remédio, o treino não sai de jeito nenhum." Ainda no grupo das alérgicas, a ala Patrícia de Oliveira Ferreira, a Chuca, não tira nunca o descongestionante nasal da bolsa. "Está muito seco, toda hora eu uso descongestionantes para não afetar minha respiração", reclama. "A gente faz de tudo para continuar com o treino pesado e fazer o melhor em Pequim." Na opinião de Paulo Saldiva, médico do Laboratório de Poluição da USP, atletas devem ingerir o dobro de água para manter o corpo hidratado e o condicionamento em dia. "Usar descongestionantes nasais, beber muita água e fazer inalações naturais no banho quente são ótimas saídas para o tempo seco", recomenda o especialista.Para manter o condicionamento físico em ordem, o grupo das dez atletas, antes da viagem para Pequim, seguirá para um período de aclimatação na Austrália. Nesse estágio, no meio do caminho para o Oriente, elas têm programados um jogo-treino e dois amistosos contra as donas da casa, rivais na China. As condições climáticas que as garotas têm enfrentado no Brasil se assemelham àquelas que elas devem encontrar em Pequim. Independentemente das medidas antipoluição que as autoridades chinesas pretendem tornar mais intensas a partir de amanhã (leia acima). Não é grande consolo, porque o ideal seria concluir a preparação em clima saudável, o que não tem acontecido em São Paulo, mas sobretudo disputar os Jogos sem poluição, o que parece impossível. O Brasil está no Grupo A e estréia contra a Coréia do Sul no dia 9 de agosto. Na seqüência, as brasileiras enfrentam a Austrália (11), Letônia (13), Rússia (15) e fecham a primeira fase diante da Bielo-Rússia (17).

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