Tempos de vacas magras

Grand Prix

Reginaldo Leme, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

Sinal dos tempos, a Ferrari lança seu novo modelo F60 em um evento modesto e a Toyota, sem nenhuma cerimônia, apenas disponibiliza fotos, informações e um vídeo bem produzido com o novo TF109 e pilotos da equipe em um site criado especialmente para isso (www.tf109-premiere.com). A McLaren mostra seu novo carro hoje. Na segunda-feira é a vez de Renault e Williams, e na terça, da BMW. A Red Bull usa nos testes da pista de Algarve (de segunda a quinta-feira) um carro quase totalmente novo, mas oficialmente o lançamento do RB-5 só ocorre em fevereiro, provavelmente junto com o da irmã Toro Rosso. Ficam faltando a Force India, que passa a ser um tipo de parceira da McLaren-Mercedes-Benz, e a nova equipe que surgir da compra do espólio da Honda. Bem diferente do tempo em que se gastavam fortunas com festas mirabolantes para apresentar um novo carro. Para isso nem foi necessário haver combinação entre as equipes. A crise financeira falou mais alto. Mas quando precisou haver uma concordância entre os times associados à Fota (Formula One Teams Association), a coisa não funcionou. Foi da Ferrari a sugestão, mas era desejo da grande maioria das equipes que a adoção do Kers, sistema de reaproveitamento de energia cinética, fosse adiado. A BMW foi contra. O Kers, que até agora já consumiu, no mínimo, US$ 60 milhões de cada equipe e ainda não está 100% desenvolvido, deve mesmo ser usado na corrida de estreia do Mundial, em 29 de março. É compreensível a BMW ter insistido nisso porque foi a primeira a começar a trabalhar com essa tecnologia antes da metade do ano passado, quando já se discutia a sua aplicação e nem se falava de crise. Em um meio tão competitivo, é justo a BMW fazer questão de algo em que ela apostou. A Toyota é uma que já admite correr sem o Kers nas primeiras corridas. A Ferrari tem dúvidas, embora seu sistema não tenha apresentado problema quando Felipe Massa levou o carro novo para percorrer seus primeiros 100 quilômetros de pista. McLaren e Renault ainda não se pronunciaram, mas eram a favor do adiamento. E a Williams, que não tem parceira na indústria automobilística e, portanto, sofre mais do que as outras do mal chamado falta de dinheiro, vai demorar mais tempo para acertar o funcionamento do sistema. A verdade é que o Kers veio atrapalhar os planos de equalização de recursos que a FIA está buscando. A ideia é que, quando cada equipe tiver a mesma quantidade de dinheiro, o resultado - positivo ou negativo - vai depender apenas da capacidade intelectual de seus integrantes. É a valorização do ser humano.Nesse aspecto, o Mundial de 2009 promete. Mesmo que o gasto com uma tecnologia cara como o Kers crie alguma disparidade no início, o certo é que, com o fim dos testes entre as corridas, a evolução de um carro passa a depender muito mais da eficiência dos engenheiros nos fins de semana de GP e também da capacidade dos pilotos em adaptar-se mais rapidamente ao comportamento do carro com a nova configuração aerodinâmica e pneus slick. Hora de confiar plenamente nos homens que integram a Ferrari e no piloto que costuma se dar bem em situações novas. Felipe Massa venceu na primeira vez que andou na pista da Turquia em 2006, repetindo a conquista nos dois anos seguintes. Em 2008 venceu na estreia de Valência e teria uma vitória fácil em Cingapura, aquela da maldita mangueira de combustível.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.