Imagem Paulo Calçade
Colunista
Paulo Calçade
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Tenha fé, palmeirense!

A boa notícia é que o Palmeiras só depende dele para escapar do rebaixamento na última rodada do Campeonato Brasileiro. A má notícia é que essa suposta vantagem não encontra suporte no futebol praticado pelo time. Mas tenha fé, palmeirense!

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2014 | 02h00

A sorte, que tem se esforçado bastante para manter o time na Primeira Divisão, demonstra que é possível escapar até com mais um tropeço, desde que a concorrência se complique também. Do jeito que está, tudo pode acontecer, nenhuma hipótese deve ser descartada.

Depois da derrota para o Internacional por 3 a 1, as chances de sobrevivência passavam por um triunfo do Flamengo sobre o Vitória. E aconteceu, a equipe de Luxemburgo fez 4 a 0 e renovou a esperança palestrina de permanecer na elite do futebol.

A rodada terminou com o Palmeiras matematicamente no controle do seu destino, apesar de os resultados refletirem a natureza de um time mergulhado no fracasso, descrente e desconfiado. A realidade machuca.

Diante de uma campanha tão ruim, é difícil apontar com precisão o pior momento do grupo no campeonato. Mas é fato que cinco derrotas consecutivas, como agora, é uma desastrosa novidade.

No momento decisivo, em que apenas uma vitória basta para salvar o ano do centenário de um vexame histórico, seja no Allianz Parque ou em qualquer outro lugar, os jogadores olham para trás e não encontram referências recentes de que seja possível sobreviver a essa situação.

Nessas cinco derrotas (Atlético-MG, São Paulo, Sport, Coritiba e Internacional), o Palmeiras sofreu 11 gols e marcou apenas um. Possui a pior defesa do campeonato e um ataque que não perturba ninguém.

Dorival Junior viu pontos positivos no jogo contra o Internacional. Foram 65 minutos de um futebol mais ou menos, até o segundo gol gaúcho. É bem provável que o treinador esteja se referindo ao bloco defensivo, bolado por ele para marcar forte o adversário e contra-atacar.

É verdade que neste momento nenhum palestrino está suficientemente tranquilo para encontrar os tais pontos positivos na 20.ª derrota no Campeonato Brasileiro.

E transportá-los para a decisão contra o Atlético Paranaense. É impossível crer que Dorival tenha inventado uma solução segura para salvar a instituição na última rodada.

Depois de tudo o que vimos neste Palmeiras, não existe receita salvadora. A única certeza é que se Valdívia puder jogar, melhor. Ele e seu fantasma, encantador nos raros momentos em que se materializa.

Até lá conviveremos com histórias sobre "malas brancas", tão reais nas rodadas derradeiras quanto equipes que fabricam resultados para prejudicar seus rivais. E aqui não vai nenhum incentivo a essas condutas, é apenas uma constatação de que elas existem. E que são diferentes das "malas pretas", quando o jogador leva uma grana para prejudicar seu próprio time.

Mas não deixa de ser surreal um time receber "incentivo" para fazer o que deveria ser a sua essência, vencer.

Pior quando essa "força" vem de fora, de uma agremiação interessada no resultado, e os jogadores se matam para vencer a partida.

Diante disso, temos duas alternativas, podemos nos conformar com a situação ou perceber que o futebol precisa de uma boa reforma, na lataria e no motor, por mais inviável que ela pareça.

Independentemente disso, o que o palmeirense quer saber é se o time dele vai ou não cair mais uma vez. Como esses momentos são sempre dramáticos, insustentáveis diante do julgamento da razão ou da lógica dos números, o que se pode fazer é apelar para a intuição.

E ela diz que o Palmeiras não cai. Se quiser você também chamar de chute ou palpite, o que me parece menos adequado para o momento.

Tudo o que sabemos sobre:
Paulo CalçadefutebolPalmeiras

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.