Tensão e equilíbrio marcam semifinal

Após semana conturbada por caso de homofobia, Vôlei Futuro e Cruzeiro se enfrentam em Araçatuba na segunda partida da série melhor de três

Amanda Romanelli e Marcelo Portela / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2011 | 00h00

Após uma semana tensa, feita de acusações de lado a lado, Vôlei Futuro e Sada/Cruzeiro entram em quadra hoje, às 10 horas (com Globo e Esporte Interativo), para o 2.º jogo da série melhor de três da semifinal da Superliga Masculina. Em quadra, os dois times tentam superar o episódio de homofobia do qual o meio de rede Michael, do time paulista, foi alvo.

Na partida realizada há uma semana, em Contagem, o Cruzeiro bateu o rival em um jogo duríssimo, de quase 2h30, por 3 sets a 2 (25/20, 25/22, 23/25, 23/25 e 15/9). Foi nesta partida que Michael afirmou ter sido ostensivamente ofendido pela torcida com palavras como "bicha" e "gay", levando-o a assumir ser homossexual. O episódio foi denunciado pelo Vôlei Futuro ao STJD e será julgado na quarta-feira.

Uma vitória em Araçatuba dará ao time mineiro a vaga em sua primeira final da Superliga. Cabe à equipe da casa, que também nunca disputou uma decisão, vencer o jogo desta manhã para manter o sonho do título. Caso isso aconteça, a 3.ª partida está confirmada, ao menos por enquanto, para o mesmo ginásio de Contagem, na sexta-feira.

O Vôlei Futuro, que tem atletas como o levantador Ricardinho e o oposto Leandro Vissotto, atuará com o apoio irrestrito de sua torcida. "Esperamos que a torcida nos traga mais equilíbrio emocional, disposição e aumento no nível de concentração, coisas que não aconteceram em Contagem", disse o técnico Cezar Douglas.

A equipe do Cruzeiro garante que ficará alheia a qualquer provocação da torcida paulista - e até evita mencionar a polêmica semana. Para o técnico Marcelo Mendez, o maior desafio será "manter o nível de jogo".

Mas a troca de acusações durou até a véspera do jogo. Ontem, o Cruzeiro relatou que o Vôlei Futuro de dificultar a utilização do ginásio Plácido Rocha para treinos e de não disponibilizar número suficiente de ingressos para seus torcedores. Os mineiros afirmaram ter levado as dificuldades ao STJD. O time de Araçatuba negou as ocorrências, mas tratou de aumentar o efetivo de segurança. Normalmente, 12 homens trabalham no ginásio em dias de jogos. Hoje, serão 38.

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