Divulgação/CBF - 28/9/2009
Divulgação/CBF - 28/9/2009

Tensão total entre Joseph Blatter e Ricardo Teixeira

Presidente da Fifa articula mudanças na eleição para impedir que brasileiro entre na briga pela sucessão em 2015

JAMIL CHADE, GENEBRA, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h02

GENEBRA - A guerra é total entre o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Ontem, o projeto de reforma da entidade encomendado por Blatter foi apresentado e tenta fechar as portas para uma candidatura do brasileiro à presidência da Fifa em 2015. E pode criar as condições até para sua expulsão nos próximos meses.

Em contrapartida, Teixeira passou a ignorar a Fifa em decisões sobre a Copa de 2014 e fechou a nomeação de Ronaldo para o Comitê Organizador Local (COL) do Mundial sem informar à entidade, dona da Copa, para o desespero da cúpula da Fifa. O cartola brasileiro passou cinco dias em Zurique nesta semana apenas se armando contra Blatter. Teixeira não aceitou convites para reuniões na sede da entidade.

Blatter foi eleito em meados deste ano para seu terceiro mandato em meio a uma avalanche de acusações de corrupção e prometeu que reformaria a Fifa. Ontem, o especialista pago por Blatter para apresentar o projeto de mudança, o acadêmico Mark Pieth, revelou suas ideias.

A principal delas se refere à elegibilidade de cartolas para cargos na Fifa, inclusive o de presidente. O projeto, batizado de "Ficha Limpa", prevê que pessoas com condenações não poderiam concorrer e sugere que aquelas que estão sendo processadas, ou são alvos de questionamentos, deveriam ser impedidas de participar da direção da entidade.

AFASTAMENTO

Outra proposta é de que cartolas que são investigados pela Justiça criminal sejam suspensos imediatamente de suas atividades na Fifa, antes mesmo da sentença. Peith admite que não sabe se a Fifa aceitará seu projeto. Mas conta com o apoio de Blatter. "É um dia importante para Fifa", disse o cartola, ao apresentar o especialista. Há poucos dias, em um evento fechado, Blatter alertou que nem todos os cartolas na Fifa podem ser considerados como "família".

Na mira. Fontes dentro da entidade dizem acreditar que as medidas estão desenhadas justamente para atingir Teixeira e impedir sua eleição em 2015, quando Michel Platini, aliado de Blatter, também concorre. Se a adoção da "Ficha Limpa" for acelerada, como deseja Blatter, há o risco de que Teixeira seja suspenso do Comitê Executivo, do qual faz parte hoje.

Isso porque o brasileiro é alvo de um processo no Brasil por conta do pagamento de propinas da ISL nos anos 90. Além disso, Blatter prometeu que, ainda neste mês, vai divulgar os documentos da Justiça suíça que mostrariam que Teixeira e o ex-presidente da Fifa, João Havelange, estavam envolvidos no escândalo da ISL.

"Deve haver uma forma de que um integrante do Comitê Executivo seja recusado", disse Peith. "Mas para fazer isso de uma forma que não seja injusta, a proposta é de que critérios sejam criados", explicou. Dependendo do grau do crime, o cartola seria suspenso de forma temporária ou expulso. Peith, porém, acredita que ter um caso aberto na Justiça já seria suficiente para o afastamento.

Outra ideia sua é o fim de mandatos eternos. Mais uma vez, críticos alertam que as medidas são desenhadas por Blatter justamente para atingir Teixeira e seus aliados. O suíço já avisou que deixará a Fifa em 2015 e, portanto, esta lei não o atingiria. Mas no caso de cartolas como Julio Grondona ou Nicolas Leoz, que apoiam Teixeira e que estão há décadas no poder, a manobra os afetaria.

RONALDO

Teixeira, porém, não está de braços cruzados. Ontem, o presidente da CBF deixou a Suíça depois de passar cinco dias em Zurique. Em nenhum momento foi até a sede da entidade.

Nos últimos dias, a assessoria da Fifa buscou Teixeira de forma desesperada para entender as notícias que começaram a surgir sobre a contratação de Ronaldo para ser o homem forte do COL. Teixeira fez questão de nomear o jogador e mudar a estrutura do comitê, que é pago pela própria Fifa, sem informar os cartolas europeus, que ficaram sabendo apenas pela imprensa. Valcke chegou a convidá-lo para uma reunião, o que foi recusado.

Teixeira preferiu passar seus dias em Zurique montando sua defesa contra Blatter. E deixou claro que está abandonando a postura de ser a pessoa que defende os interesses da Fifa no Brasil, como retaliação à campanha de Blatter. A partir de agora, se Valcke ou Blatter precisarem negociar algo com o governo federal, terão de agir sozinhos, numa evidência da gravidade da crise.

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