Felipe Rau/Estadão
 Ana Marcela é uma das favoritas na maratona. Felipe Rau/Estadão

Tentando reerguer CBDA, nova gestão aposta em maratona aquática no Maria Lenk

Gestão luta para reerguer confederação após várias denúncias de corrupção e prisões

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2018 | 17h00

Tentando superar a crise que quase paralisou os esportes aquáticos do Brasil em 2017, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) terá no Troféu Brasil – Maria Lenk o primeiro grande desafio da sua nova gestão, nesta semana. A maior e mais tradicional competição de natação do País terá início neste domingo, no Rio de Janeiro, com uma novidade: a maratona aquática de 10km em Copacabana. 

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A prova deve aumentar os holofotes sobre a competição, que é a grande aposta dos novos dirigentes para mostrar serviço e atrair novos patrocinadores para a entidade. A CBDA tenta recuperar a credibilidade após denúncias de corrupção e prisões que culminaram na intervenção da Justiça no ano passado. 

Para tanto, terá como desafio organizar um Maria Lenk – que passou a se chamar também Troféu Brasil neste ano – com orçamento inferior ao dos últimos anos, em razão do sumiço dos patrocinadores. A nova gestão ainda não tem as cifras finais, mas confirma as dificuldades na organização do evento. 

“A maior dificuldade que tivemos foi a baixa capacidade financeira de investimento”, admite o presidente Miguel Carlos Cagnoni ao Estado. A nova diretoria espera fazer mais com menos. “Nosso orçamento é muito menor do que anteriormente. Mas esperamos fazer um evento do mesmo nível ou até melhor do que o do ano passado”, disse Renato Cordani, diretor de esportes da CBDA.

Com a chance de mostrar eficiência no Maria Lenk, a nova gestão aposta na maratona aquática, com a presença da atual campeã olímpica, a holandesa Sharon Van Rouwendaal. Pela mesma equipe da Unisanta, Ana Marcela Cunha será a maior esperança brasileira. “Para mim, a competição será ainda mais especial porque terá a maratona aquática pela primeira vez”, afirmou a nadadora ao Estado

A tricampeã mundial voltará ao mesmo palco da Olimpíada do Rio-2016, quando decepcionou ao ficar longe do pódio em Copacabana. “Acho que isso me deixou mais forte. O mais legal é ter esta chance de estar no mesmo lugar e poder fazer um resultado diferente”, disse a atleta, que competirá também nas piscinas, nos 400m, 800m e 1.500m.

No Parque Aquático Maria Lenk, as disputas serão de terça até sábado, com eliminatórias pela manhã e finais às 18hs. E a piscina de 50 metros também terá medalha de ouro olímpica: a lituana Ruta Meilutytea vai tentar repetir nos 100m peito o título em Londres-2012, ao defender o Flamengo, e Cesar Cielo será o maior destaque do Pinheiros nas provas de velocidade. 

Outros detaques serão Bruno Fratus, Nicholas Santos, João Gomes Júnior e Marcelo Chierighini. A maior baixa será Etiene Medeiros, que se recupera de cirurgia no ombro. Cielo, Fratus e cia. precisam de bons resultados para conseguirem índice para o Pan-Pacífico, a principal competição da temporada. 

O Maria Lenk servirá ainda para a CBDA formar mais duas seleções para o Sul-Americano e os Jogos Olímpicos da Juventude. “Existe uma grande expectativa por boas performances porque os resultados vão valer para três competições futuras, com destaque para o Pan-Pacífico”, afirmou Cordani, diretor de esportes da CBDA.

Eficiência para atrair patrocinadores

Passada a crise, a nova gestão da CBDA tenta recuperar as finanças da entidade e a meta agora é apenas uma: buscar novos patrocinadores. Para tanto, a confederação se esforça para mostrar eficiência e transparência para atrair novos apoiadores. 

“Nosso maior desafio é a recuperação da capacidade financeira da CBDA. Buscar novos patrocinadores, abrir novos horizontes e recuperar a capacidade financeira”, disse ao Estado o presidente Miguel Carlos Cagnoni, que diz confiar na equipe que montou em junho do ano passado. “Depois de nove meses de gestão, temos uma equipe adequada para qualquer tipo de desafio.”

O novo time administrativo da CBDA será testado nesta semana, com a realização do Troféu Brasil – Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, o evento terá a prova de 10km de maratona aquática. Mas, mesmo com um orçamento menor, o presidente fazer um evento com qualidade similiar a dos últimos anos. 

Ao mesmo tempo em que pretende exibir eficiência, a nova gestão quer reforçar a transparência da CBDA, que vinha de três décadas sobre a mesma administração. “Nosso intuito é ter transparência em vários pontos. Vamos aperfeiçoar e, por isso, temos um comitê de governança e compliance. Além disso, faremos um painel de transparência e vamos mostrar onde podemos nos desenvolver”, disse o presidente.

A busca por novos patrocinadores teve grande vitória na semana passada, quando a Federação Internacional de Natação (Fina) oficializou a aceitação da entidade brasileira em seu quadro.  Isso é importante porque torna a CBDA reconhecida internacionalmente, o que dá uma espécie de “selo” de segurança à entidade nacional. 

“Um patrocinador não quer entrar numa bagunça, ele quer entrar numa confederação que esteja reconhecida pelos organismos internacionais”, explica Renato Cordani, diretor de esportes da CBDA. “Eles querem uma confederação que esteja mostrando transparência e governança corporativa. Estamos trabalhando nisso.”

O novo status da entidade era necessário porque a CBDA havia sido suspensa pela Fina no ano passado após imbróglio judicial que resultou na determinação de um interventor por parte da Justiça. Foi a consequência direta da Operação Águas Claras, da Polícia Federal, que prendeu a antiga cúpula da entidade sob a acusação de desvios que chegariam a R$ 40 milhões. 

A ação fez os Correios anunciarem o rompimento do contrato de patrocínio, que já havia sido reduzido de R$ 18 milhões anuais para R$ 5,7 milhões no início do ano passado. A medida, porém, acabou sendo revista pelo parceiro mais tarde. Mas, com a redução, os Correios interromperam o repasse individual aos atletas.

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Destaque do Maria Lenk, Ana Marcela aprova treinos e sossego na África do Sul

Atleta é um dos grandes destaques do Brasil nos esportes aquáticos

Entrevista com

Ana Marcela Cunha

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2018 | 17h00

Após ficar aquém do esperado na Olimpíada do Rio-2016, Ana Marcela Cunha decidiu atravessar o oceano para treinar na África do Sul. Seis meses depois de virar uma “turista-moradora” da Cidade do Cabo, como ela mesmo se define, a nadadora brasileira aprova a experiência e aposta num bom resultado na primeira maratona aquática do Troféu Brasil – Maria Lenk que valerá pontos para os clubes na disputa do título. 

+ GALERIA - O recomeço de Ana Marcela Cunha

“O que vejo de diferente lá é a tranquilidade que tenho. Aqui no Brasil a gente sabe como as coisas são super corridas, muito trânsito... Para mim, essa ida pra lá tem me trazido um pouco de tranquilidade. É só treinar, consigo ter mais foco”, resumiu a atleta, em conversa com o Estado

Na entrevista abaixo, a tricampeã mundial da maratona de 25km conta como está sendo a experiência no país africano e projeta sua participação no Maria Lenk, tanto na piscina quanto na maratona na praia de Copacabana, neste domingo. 

Ela comenta ainda a perda do patrocínio dos Correios e avalia a nova gestão da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que assumiu a entidade no ano passado, colocando fim a uma sequência de 30 anos da mesma administração. 

Como está a vida na África do Sul?

Como turista e moradora, acho a Cidade do Cabo uma cidade muito legal, turística, tem bastante movimento. É bem diferente do que eu esperava e também é muito diferente do restante da África do Sul. Todo fim de semana a gente faz alguma coisa diferente. Moro sozinha, o meu técnico [Fernando Possenti] também mora lá, mas não na mesma casa.

Por que treinar lá?

Em outubro recebemos uma proposta de uma fundação, a Aquazurra, para treinar lá com tudo pago: moradia, viagem, tudo. Eu queria algo diferente, sair um pouco do Brasil. Lá o meu custo de vida é mais baixo porque a fundação banca quase tudo. O projeto é olímpico, visando os Jogos de Tóquio-2020.

Quais as metas para o Troféu Brasil – Maria Lenk?

Na maratona, a gente busca o resultado, mas não pensa muito no tempo. Porque é uma prova muito diferente, não dá para ter esta noção por causa das condições do mar. Não dá para comparar a mesma prova no memso lugar em dias diferentes. Já tem uma diferença. Mas em relação à psicina, quero chegar perto dos meus melhores resultados e fazer o melhor que eu puder para jaudar minha equipe com os pontos. 

Como te afetou o corte do patrocínio dos Correios aos atletas? 

Lógico que o corte de custos afeta todo mundo. Mas era algo já previsto porque o contrato de todo mundo tinha validade. Já sabíamos que não haveria a renovação. Pra todo mundo, pesa um pouco. Sempre faz a diferença nas contas, mas a gente sempre se ajeita, né. 

O apoio pode voltar?

Acho vai demorar um pouco porque a gente sabe que a CBDA tem hoje uma dívida muito alta. Mas sabemos que a nova gestão é bem transparente, sabemos tudo o que está sendo gasto. Acredito que para o patrocínio vai demorar uns três anos mais ou menos para voltar. Não será algo da noite para o dia. 

Como avalia a nova gestão da CBDA?

Eles estão trabalhando bem, na minha opinião. A transparência que estão tendo, pra gente, é muito bom. Traz mais segurança. Acredito que é uma equipe nova, muita gente com muitas ideias. Isso é muito bom. Se você não estiver atualizado hoje em dia, você fica para trás.

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