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Teresópolis invadida. Por uma boa causa

As visitas esporádicas da seleção costumam alterar a rotina de Teresópolis, uma das joias da serra fluminense. Cada vez que a turma da amarelinha aparece por aqui, em raros compromissos domésticos, ela sai da vidinha pacata e de recanto escolhido para quem está à procura de sombra, água fresca e brisa das montanhas, para ganhar ares de metrópole, mesmo que por poucos dias.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2014 | 02h08

Imagine, então, o que acontece quando é escolhida como quartel-general permanente de Felipão e rapaziada na aventura do Mundial em casa? De preferência, se Deus quiser e os gols ajudarem, até a final, em 13 de julho? Se pensou em transformação radical, ficou perto do acerto. A cidade se alvoroçou e, desde ontem, virou centro de atenção nacional,de romaria de mídia. Espera aí, atenção nacional só, não. Que modéstia é essa? Internacional também! Os anfitriões da festa se instalaram no final da manhã na reformada Granja Comary - e isso foi suficiente para fazer com que um batalhão munido de câmeras, objetivas com lentes deste tamanho, lap tops, microfones e sei lá que outras maquininhas modernas invadisse o terreno. A causa é boa.

Cobri um bocado de Copas e sei da importância da seleção. Não é qualquer equipe que atrai jornalistas de todo lugar e que se espremem para ver marmanjos em exercícios físicos, bate-bolas, coletivos ou voltas pelo gramado. Ou nas coletivas chatas pra chuchu.

Desta vez é um abuso, um despautério. Se todo o povo credenciado se apresentar ao mesmo tempo, vai entupir a Granja. Para descobrir um ângulo novo, para descolar um assunto bacana, imaginação e senso de observação entrarão em cena mais do que nunca. Os repórteres sofrerão pra valer. Se vacilar, logo tem gente a se estapear para ouvir ao menos leve suspiro de jogador.

O comentário não é para exaltar o trabalho da imprensa, que a moçada se mandou pra cá pra isso mesmo. Vamos ao que interessa: o tanto de holofotes no grupo só aumenta a responsabilidade, por definição já enorme, de Júlio César, Thiago Silva, Neymar e outros 20 jovens chamados por Scolari para fazer com que o Brasil desempenhe papel bonito no torneio que hospeda.

Vá lá que jogar bola - e bem - seja o ofício deles. Lidar com pressão e público, também. Mas não é moleza entrar em campo no próprio quintal e com o peso de uma nação. Meu amigo, para muitos dá um frio na barriga que eu vou te contar.

Sobretudo se houver mau humor no ar como neste período peculiar. E os candidatos a astros viram de perto a impaciência popular. Não eram centenas, porém tanto na parte damanhã como da tarde grupos de professores e simpatizantes se colocaram no caminho da Granja e gritaram slogans contra a Copa e a favor de educação. Colaram adesivos nos ônibus da delegação. Ousadia e desespero de professor. Que sofre.

No início da noite, até as nuvens mandaram advertência, com um pé d'água de respeito; chuva intensa, de dar inveja em paulistas, como eu.

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