Termina a festa, 17 dias depois. E o Pan deixa saudade

Competição foi declarada encerrada às 19h05 de ontem. Após belas disputas em quadra, piscinas ou mesmo ao ar livre, com festa da torcida e muitas medalhas, os cariocas voltam à sua rotina normal

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2030 | 00h00

Eram exatamente 19h05 de ontem quando foram declarados oficialmente encerrados os Jogos Pan-Americanos do Rio. A sentença partiu do presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), o mexicano Mario Vázquez Raña, que conseguiu ainda que o presidente Lula fosse sonoramente vaiado mais uma vez, mesmo não estando presente no estádio do Maracanã - ao citar o apoio do governo federal.A cerimônia de encerramento tinha um desafio: pelo menos igualar, em emoção e encantamento, a festa que marcou a abertura, no dia 13. E o que se viu, na noite de ontem, foi uma cerimônia bela mas morna, já com indisfarçável gosto amargo de final. Pouca música executada ao vivo e uma espetacular queima de fogos de artifício deram o tom de despedida.A cerimônia começou com homenagem às vítimas do acidente da TAM: nove policiais militares que participaram do resgate das vítimas, em São Paulo, entraram em campo carregando a bandeira nacional que seria hasteada. Momento tocante, realçado pela rara aparição da lua em meio à chuva.Depois de entoado o hino oficial dos Jogos e de apresentação de índios guaranis (tudo em playback), diversos atletas entraram em campo e a atenção recaiu sobre os cubanos que ainda ficaram no País - transportados em 11 ônibus até o Maracanã, eles novamente carregavam bandeiras de seu país e do Brasil. Como sinal de paz.O estádio ficou escuro, então, para a exibição de melhores momentos dos Jogos, mostrados nos telões - na verdade, uma seleção de grandes vitórias brasileiras. E uma das últimas, a do maratonista Frank Caldeira, teve entrega de medalhas em grande estilo, com todo o estádio aplaudindo o atleta, que entrou em campo mancando.O momento político da festa veio com o discurso do presidente do Comitê Organizador do Pan, Carlos Arthur Nuzman, que, ao final, desabafou: ''''Missão cumprida!'''' Ao seu lado, o Vázquez Raña protagonizou a cena que todos esperavam. Ainda pouco à vontade com a picardia carioca, que traduziu a palavra ''''hoy'''' (hoje, em espanhol) como um cumprimento e respondia ''''ooooooiiii'''', Raña não escondeu certa satisfação ao agradecer o governo federal. Mesmo sem citar o nome do presidente Lula, uma sonora e persistente vaia ecoou pelo estádio. A cena se repetiu quando o cartola mexicano citou o nome do prefeito César Maia.Raña comandou ainda a entrega da bandeira pan-americana para representantes da cidade de Guadalajara, sede dos Jogos de 2011, apresentada em vídeo promocional e por show típico, exibido no palco, daqueles que entretêm turistas. Era a senha de que a aventura carioca de sediar tão grande evento estava chegando ao final. Depois de enfrentar a suspeita de que teria sido apagada pelas chuvas na semana passada, a pira olímpica se extinguiu definitivamente com um gesto simbólico da cantora Alice Caymmi e seu pai, Danillo. A dupla cantou O Vento, fez gesto de assoprar e fez com que a chama ''''morresse'''', às 19h30.A cidade voltava à sua realidade - depois de dias marcados por alegrias e reclamações, o atribulado sonho do Rio de sediar um evento esportivo de grande porte, finalmente, chegara ao final. Se ter sido retumbante, mas também sem nenhum ato de violência que pudesse assustar. Restaram o funk de Fernanda Abreu e o eco da voz rasgada de Elza Soares, encerrando a cerimônia ao som de Aquarela do Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.